Sexta-feira, 23 de janeiro de 2026
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Após mais de 40 anos detido, a Justiça francesa ordenou a libertação de Georges Ibrahim Abdallah nesta quinta-feira (17/07), um combatente libanês pró-Palestina que foi condenado à prisão perpétua por cumplicidade nos assassinatos de dois diplomatas estrangeiros na França, em 1982.

Durante uma audiência não pública, o Tribunal de Apelação de Paris pediu que o militante de 74 anos fosse libertado na data de 25 de julho, sob a condição de que deixe o território francês e nunca mais retorne ao país. 

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Ex-chefe da Brigada Revolucionária Armada Libanesa, Abdallah foi sentenciado após envolvimento nas mortes do adido militar dos Estados Unidos, Charles Robert Ray, e do diplomata israelense Yacov Barsimantov, em Paris. Além disso, foi acusado por suposta tentativa de assassinato do cônsul-geral norte-americano Robert Homme, em Estrasburgo. Em 1984, ele foi detido pela primeira vez e, embora o libanês tenha se declarado inocente dos casos, acabou condenado em 1987.

De acordo com o jornal francês Le Monde, Abdallah terá uma semana para esvaziar a cela em Lannemezan, “onde cartas de apoio, bandeiras ou cartazes com a imagem de Che Guevara, livros e jornais se acumulam há décadas”. De lá, será transportado por um avião militar para a capital francesa, onde será colocado em um centro de detenção antes de embarcar para Beirute. “Ele poderá terminar seus dias em sua aldeia de Kobayat, no norte do Líbano”, acrescenta o veículo.

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À agência de notícias AFP, o irmão Robert Abdallah celebrou a libertação.

“Estamos muito satisfeitos. Eu não esperava que o judiciário francês tomasse tal decisão nem que ele fosse libertado, especialmente depois de tantos pedidos fracassados de libertação”, disse ele. “Pela primeira vez, as autoridades francesas se libertaram das pressões israelenses e americanas.”

O advogado de Abdallah, Jean-Louis Chalanset, também saudou a decisão, afirmando ser “uma vitória judicial”, entretanto, “um escândalo político que ele não tenha sido libertado antes”.

Georges Ibrahim Abdallah, combatente libanês pró-Palestina preso na França há mais de 40 anos
X/Andrée Taurinya

Segundo a emissora catari Al Jazeera, Abdallah está em liberdade há 25 anos, mas as autoridades dos EUA se opuseram consistentemente à sua saída. Em novembro, um tribunal na França chegou a ordenar sua libertação com a condição de que o militante libanês deixasse o país europeu. Entretanto, os promotores franceses apelaram e suspenderam a decisão, argumentando que ele não havia mudado suas opiniões políticas.

Ainda de acordo com o veículo, um veredicto deveria ter sido proferido em fevereiro, mas o Tribunal de Apelações de Paris adiou, sem recebimento de provas de que Abdallah havia pago uma indenização aos demandantes. Ao reexaminar o último pedido de sua libertação, no mês passado, a Justiça conferiu que 16.000 euros (cerca de US$ 18.535) foram colocados na conta bancária do prisioneiro e estavam à disposição das partes civis no caso, incluindo os EUA.

Ao avaliar que o libanês não representava “nenhum risco sério em termos de cometer novos atos de terrorismo”, o tribunal determinou a libertação.

Abdallah nunca expressou arrependimento por suas ações e sempre se declarou um “lutador” pelos direitos dos palestinos.