Hoje na História: 1955 - Ativista se recusa a obedecer lei racista nos EUA

Quando Rosa Parks se recusou a ceder lugar em ônibus a homem branco, uma revolta que se mantinha latente, contida pelo peso do medo, foi detonada

Max Altman

Uma mulher negra de 42 anos estava sentada em um banco de ônibus na cidade de Montgomery, estado do Alabama, nos Estados Unidos, na manhã de 1º de dezembro de 1955. A mulher se chamava Rosa Louise Parks. Um homem branco corpulento subiu no veículo e pediu que ela cedesse o assento, como era de direito aos brancos naquela época e local. Rosa estava violando a lei do condado, que destinava aos negros os assentos do fundo. Como os assentos da frente estavam todos ocupados, ela deveria levantar e ceder o lugar ao homem branco. Mas Rosa se recusou. A polícia foi chamada, Rosa foi levada à delegacia e recebeu do xerife uma multa de 15 dólares - hoje equivalente a aproximadamente 500 dólares.

Bill Clinton entrega condecoração a Rosa Parks em 1999 (Foto: Wikicommons) Desde o fim da Guerra Civil (1860-1864), o sul dos EUA conservava um espírito racista e segregacionista fortemente enraizado. O incidente de Rosa Parks detonou uma revolta que se mantinha latente, contida pelo peso do medo. Uma campanha de boicote contra a companhia de ônibus foi lançada. O protesto, bem-sucedido, se estendeu por mais de um ano e marcou o surgimento do líder ativista Martin Luther King. À frente das manifestações, ele logo se tornou uma figura de proeminência nacional como defensor dos direitos civis.

[Bill Clinton, então presidente dos EUA, entrega condecoração a Rosa Parks em 1999 (Foto: Wikimedia)]

As manifestações de Montgomery desenharam o modelo que as futures ações não-violentas do movimento negro adotariam. King incutiria na população afro-americana coragem suficiente para enfrentar a discriminação e defender os direitos à igualdade racial, prevista no primeiro artigo da Constituição norte-americana. Em 13 de novembro de 1956, a Corte Suprema do país declarou as leis segregacionistas de Montgomery como ilegais e inconstitucionais. A partir de 21 de dezembro de 1956, Rosa Parks já poderia sentar-se, se quisesse, nos assentos da frente do ônibus.

Rosa Parks, costureira, era membro ativo da Associação Nacional para o Progresso das Pessoas de Cor (NAACP na sigla em inglês). Depois do episódio, foi afastada do emprego e impossibilitada de arranjar outro. Mudou-se para Detroit em 1957 e permaneceu ativa no movimento a favor dos direitos civis. Em 1964, o movimento negro alcançou a grande vitória, quando o Congresso aprovou a Lei de Direitos Civis que garantia, entre outros, o direito de acesso, sem distinção de cor, a todos os serviços públicos em toda a nação. Acabou condecorada com a Medalha de Ouro, a mais alta distinção do Congresso norte-americano, em 1999.

Rosa Parks faleceu em 24 de outubro de 2005, aos 92 anos. Três dias depois, o Senado dos EUA aprovou uma resolução em sua homenagem, permitindo que seus restos fossem enterrados na Rotunda do Capitólio, em Washington.

 

 

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