Hoje na História: 1703 - Surge no Irã a fé baháí

Xá executaria seu idealizador e outros 20 mil discípulos da religião

Max Altman

Atualizada em 04/05/2018 às 15:50

No dia 23 de maio de 1844, em Chiraz, na Pérsia, Mirza Ali Muhammad, o el Bâb (a Porta), anuncia a chegada de um grande profeta. Ele seria executado pelo xá em 1850 diante de 20 mil discípulos e seria sepultado em 1899 no Monte Carmel, perto de Haifa (hoje, Israel).

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Em 21 de abril de 1863, um homem se apresenta como o profeta anunciado. Seria a origem da religião baha’ie, também conhecida como bahaismo ou babismo, uma das mais recentes religiões do mundo. Conta atualmente com cerca de cinco milhões de fieis, espalhados na maioria dos países. Este nascimento é celebrado no Ridvan (pronuncia-se Rezvane) de 21 de abril a 2 de maio por todos os baha'is.

Tudo começou em 23 de maio de 1844, na Pérsia, quando el Bâb, então com 25 anos, anuncia o advento iminente de um novo profeta. Entretanto, seria fuzilado pelo xá alguns anos mais tarde, em 9 de julho de 1850, enquanto 20 mil de seus seguidores são martirizados e igualmente fuzilados.

Entre os que conseguiram escapar do genocídio estava Mirza Husayn-Ali, chamado Baha'u'llah (a glória de Deus). Este filho de um dignitário da corte do xá é exilado em Bagdá, então parte do Império Otomano.

Em 21 de abril de 1863, Baha'u'llah se apresenta como o profeta anunciado 19 anos antes por Bâb e revela sua missão divina a alguns discípulos. O Bâb, que deu origem à nova religião, seria sepultado em 1899 num mausoléu sobre o monte Carmel, ao sul de Haifa.

Bahá'u'lláh explicava que todas as grandes religiões reveladas só se distinguiam em aspectos menores de seus ensinamentos e que todas elas são parte integrante de um mesmo desígnio divino para a evolução da humanidade.

Os fundadores dessas religiões são manifestações de um mesmo Deus. Seus mensageiros, Abraão, Moisés, Krishna, Zoroastro, Buda, Jesus, Maomé, Bahá'u'lláh, recebem a inspiração de uma única fonte e são enviados, de tempos em tempos, para revelar aos homens as leis e os preceitos necessários ao progresso do gênero humano.

Seus ensinamentos são limitados pelas necessidades e pela compreensão dos povos de seu tempo. Cada mensageiro confirma e completa a revelação precedente.

Bahá'u'lláh, o mais recente dos mensageiros divinos, levou a cabo as revelações precedentes e abre um novo capítulo da religião de Deus, “eterna no passado, eterna no futuro”.

A fé baha'ie, ou bahaismo, propõe nada menos que favorecer o florescimento, o equilíbrio e a felicidade dos indivíduos, estabelecendo a concórdia, a justiça e a unidade dentro de uma comunidade universal em que será salvaguardada a liberdade de consciência e de iniciativa.

Por sua visão holística e sua abertura ao mundo moderno e à ciência, a fé baha'ie tem suscitado o interesse e a admiração de pessoas letradas e cultas, do historiador Ernest Renan ao poeta Rabindranath Tagore. Contudo, tem sido perseguida nos países em que predomina o Islã, em especial no Irã, onde nasceu e onde foram recentemente recenseados perto de 300 mil fieis.

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