Hoje na História: 1978 - Sexta-feira negra dá início à Revolução Islâmica do Irã

Lei marcial de Mohammed Reza Pahlevi marca o fim do regime dos xás e a ascensão do aiatolá Ruhollah Khomeini

Max Altman

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No dia 8 de setembro de 1978, milhares estudantes e cidadãos comuns reúnem-se na praça Jaleh, em Teerã, para um protesto contra a monarquia que regia o país. O exército opta por abrir fogo contra a multidão, fazendo diversas vítimas. Após o que ficou eternizado como “sexta-feira negra”, o xá do Irã não mais controlaria seu país. Era o início da Revolução Islâmica e o fim do regime de quase seis décadas dos Pahlevi.

Depois que os ingleses obrigaram o fundador da dinastia, Reza Xá Pahlevi, a abdicar em 16 de setembro de 1941, seu filho e sucessor, Mohammed Reza Pahlevi, perseguiu uma política de modernização em marcha batida, apoiada no exército, em um forte aparelho burocrático e em uma temível polícia política, a Savak. Reforma agrária, modernização das infra-estruturas e direito de voto para as mulheres constituíam os principais traços de sua “Revolução Branca”.


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Depois da derrubada do primeiro ministro nacionalista Mossadegh, a cooperação militar do regime com os Estados Unidos se estreitou. A corte que cercava o xá e os altos oficiais do exército foram os primeiros beneficiários desta política voluntarista, enquanto que uma grande parte da sociedade permaneceu refratária às reformas, impostas autoritariamente. Esse descontentamento se inscrevia em um contexto de renovação teológica do xiismo, que pregava um maior engajamento militante do clero, aliado à emergência da figura do aiatolá Ruhollah Khomeini, que criticava violentamente a Revolução Branca. Condenado à morte, mas indultado pelo xá, teve de partir para o exílio na Turquia e depois no Iraque.

A irritação despertada pela corrupção do regime, pelas desigualdades sociais e pela repressão exercida pela Savak somou-se ao choque do petróleo de 1973. Em 1977, a “intelligentsia” iraniana lança uma campanha exigindo respeito às liberdades fundamentais. Em janeiro de 1978, ocorrem as primeiras manifestações de religiosos contra a Savak, que tinha criticado Khomeini em um artigo de jornal. São reprimidos, porém crescem de amplitude, estendendo-se das classes médias às populares.

Em 7 de setembro de 1978, em Teerã, uma multidão exige pela primeira vez a saída do xá. À noite, é decretada a lei marcial em 11 cidades. É daí que surgem as raízes da “sexta-feira negra”. Uma greve geral paralisa a economia. As manifestações crescem. O xá reage de maneira descoordenada: promete eleições livres, anistia prisioneiros políticos, mas, ao mesmo tempo, institui a lei marcial. Em 16 de janeiro de 1979, parte para o exílio no Egito.

Em 1º de fevereiro, Khomeini retorna ao Irã e é aclamado pela multidão. Após dois dias de enfrentamento com as forças militares fieis ao xá, a vitória da oposição é total. Khomeini nomeia um governo provisório moderado.

Diversos líderes civis e militares do regime de Pahlevi são executados. O poder se concentra nos Comitês da revolução (criados nas mesquitas), no Conselho da revolução e em Khomeini. Em 1º de abril de 1979, é aprovada por 98% em referendo a criação de uma república islâmica.

O caráter anti-americano – ilustrado pela tomada de reféns da embaixada norte-americana em novembro de 1979 e pela ruptura de relações diplomáticas com Washington em abril de 1980 – suscita uma viva inquietação no mundo ocidental.

Nos primeiros anos, a república islâmica manifesta uma clara vontade de exportar a revolução. Agitações populares sacodem os países muçulmanos: grupos xiitas tentam um levante no Bahrein, Kuwait sofre atentados, em Meca confrontos opõem agentes iranianos e forças policiais sauditas. O Irã sustenta também movimentos xiitas hostis a Saddam Hussein no Iraque e anti-soviéticos no Afeganistão. A república islâmica financia igualmente a OLP (Organização pela Libertação Palestina) e o Hamas.

O país deixara de ser a marionete dos interesses dos Estados Unidos e Reino Unido no Golfo Pérsico e buscava revestir-se como potência regional. Esta ambição se choca, todavia, com a resistência da Arábia Saudita, potência sunita que o Irã não conseguira desestabilizar. Por outro lado, a interminável guerra Irã-Iraque, provocada pela invasão de Saddam Hussein à província do Kuzistão, absorve, a partir de setembro de 1980, todas as energias, reduzindo drasticamente os projetos de exportação da revolução.

A guerra contribuiu para endurecer o regime. Esse enrijecimento já havia começado com a ocupação da embaixada norte-americana, provocando a demissão do primeiro ministro e dos liberais do governo, em favor dos islamitas radicais e dos militantes anti-imperialistas. Entre 1981 e 1983, se instala ferozmente uma verdadeira guerra civil, no curso da qual os militantes de esquerda que tinham participado da revolução são executados. Com a eliminação do Partido Comunista, o Tudeh, o ano de 1983, há a vitória definitiva do clero conservador.

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