Hoje na História: 1368 - Dinastia Ming tem início na China

Fuga da família real mongol deu início a uma das fases mais prósperas da história chinesa

Max Altman

Na noite de 10 de setembro de 1368, o imperador Shun-ti é advertido da chegada de uma tropa de insurgentes. Ele deixa apressadamente seu palácio de Pequim e se refugia na Mongólia com seus filhos e seus tesouros. Esta penosa fuga põe fim à dinastia mongol dos Yuan, fundada um século antes por Kubilai Khan, um neto de Gengis Khan. Ela inaugura uma nova dinastia, propriamente chinesa, a dinastia Ming.

A dinastia mongol dos Yuan se deixou levar, numa quinzena de anos, pela ação subterrânea de uma seita budista, o Lotus Branco, numa região meridional de Cantão. Esta seita milenarista anunciava o advento do Messias budista, o Meitreya, que libertaria a China dos mongois. Entre os chefes insurgentes que se sublevaram a seu chamamento o mais hábil era Tchou Yuan-tchang.

Este antigo bonzo, filho de um trabalhador agrícola, predomina sobre seus rivais e submete a China Central a seu controle. Instala sua capital em Nanquim. Finalmente, avança sobre Pequim à frente de suas tropas à caça dos Yuan. Funda a prestigiosa dinastia dos Ming que se pretendia genuinamente chinesa e não de origem estrangeira como a precedente.

Wikimedia Commons

Uma das tumbas da Dinastia Ming, localizadas cerca de 50 km ao norte de Pequim

Durante os trinta anos que lhe restaria viver, Tchou Yuan-tchang, que se tornou Hong-wou, se empenha em restaurar os valores da China tradicional, superando o interregno mongol. Cerca-se de conselheiros budistas porém confere proeminência aos letrados confucionistas que pregam a moral da temperança. Como sua própria temperança tinha limites, houve ocasião de mandar executar alguns de seus conselheiros e letrados.

Após o efêmero reinado de seu filho mais velho, coube ao seu filho mais novo, Yong-lo, a proeza de levar ao seu apogeu a dinastia Ming e o império chinês.

Nascido em 1360, Yong Lo assume o trono em 1403 às expensas de seu sobrinho. Em 21 anos de reinado, leva a China a uma dimensão que jamais havia atingido anteriormente. É assim que o novo ‘‘Filho do Céu’’ – cognome dos imperadores chineses – restabelece a hegemonia da China sobre o Annam (Vietnã atual), que se estenderia por muitos anos. Chega a arrecadar por um tempo impostos do Japão.

Reprodução - Yong Lo
Em virtude de sua preocupação em melhor vigiar as fronteiras setentrionais e a Mongólia, transfere em 1421 a capital de Nanquim para Pequim. Esta grande cidade do norte havia sido no século precedente a residência dos imperadores mongóis.

Em sua nova capital, Yong Lo empreende grandes obras. Embeleza a antiga residência imperial, concebendo uma sucessão de palácios e de jardins sunuosos. Esse conjunto monumental recebeu o nome de ‘‘Cidade Violeta-Púrpura Proibida’’, em chinês Tseu-kin-tcheng. Seu nome fazia alusão à cor teórica da estrela polar que está no centro do mundo celestial como a Cidade Proibida estava no centro do mundo terrestre, segundo o historiador René Grousset em História da China.

Em matéria cultural, o imperador, ele mesmo budista, ordenou compilar todos os textos da escola neo-confuciana. Em 1416, decide que eles constituiriam doravante a base do ensino escolar.

Yong-lo não se deteve apenas nisso. Para consolidar seu império, desenvolver o comércio com outros países e organizou extraordinárias expedições marítimas que, no final das contas, não surtiram muito efeito.

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