Hoje na História: 1541 - Morre Paracelso, mestre da medicina filosófica

Em sua época, ciência, magia e religião estavam tão relacionadas que a profissão de médico era relacionada com a de mago

Max Altman

Atualizado em 24/09/2018

Paracelso, pseudônimo de Phillipus Aureolus Theophrastus Bombastus von Hohenheim, médico, alquimista, físico e astrólogo suíço, morre em Salzburgo em 24 de setembro de 1541.

Seu codinome significava “superior a Celso (médico romano)”. Entre as figuras erráticas do Renascimento, a dele se destaca pela vida agitada e incoerências de seu pensamento. Era uma personalidade fascinante, dotado de um temível espírito crítico e de um caráter apaixonante e enigmático.

Paracelso nasceu em Einsiedeln, Suíça, em 17 de dezembro de 1493. Desde a idade de 14 anos, viajou de um lugar a outro. Fez seus estudos em Viena, Ferrara e Estrasburgo. Em 1522 serviu como cirurgião militar a serviço da República de Veneza. Médico itinerante, não conseguiu seguir uma carreira universitária, no entanto, em Basiléia, conseguiu curar casos muito difíceis, a ponto de ser nomeado médico municipal da cidade.

Logo entrou em conflito com re¬presentantes da medicina acadêmica. Depois de ter insultado um juíz, o que lhe fez pesar uma ameaça de prisão, Paracelso deixou o cantão da Basiléia para empreender novas viagens durante as quais meditou, escreveu e se dedicou ao ensino. Frequentou cidades balneárias onde estudou seus possíveis poderes terapêuticos.

Quando escreveu sua obra teosófica a “Philosophia sagax”, o fez respondendo a um convite do arcebispo de Salzburgo. Era um personagem de intenso colorido, amante de reuniões festivas. Mais místico que crente, não respeitou nem os católicos nem os protestantes e menos ainda as autoridades científicas oficiais.

Sua obra é considerável e nela tratou tanto de alquimia, astrologia e magia, como de cirurgia, medicina e química. Pode-se afirmar que Paracelso foi o símbolo da medicina do Renascimento, con¬cebida não como humanismo e sim campo de curiosidades ilimitado. 

A medicina de então não era racionalista, embora levasse em conta os dados da experiência. O grande empenho era integrar o intangível no diagnóstico e tratamento das enfermidades e não separar o homem do universo, tendo em conta as influências ocultas de que padecia. Esta medicina não se limitava a ser uma ciência analítica como exigia de seu praticante uma gama de conhecimentos esotéricos e certo domínio das ciências ocultas. Alguns chegam a considerar Paracelso como fundador da bioquímica.

Ciência, magia e religião estavam tão imbricadas em seu pensamento que se poderia chamar de “magos” aos médicos, sem deixar de reconhecer que a medicina moderna deve algumas de suas descobertas àquela medicina filosófica.

A alquimia não foi somente uma busca da transmutação dos metais mas também uma investigação científica em que os conhecimentos químicos e biológicos desempenhavam papel essencial. Paracelso deveu muito ao princípio alquímico da separação entre o mundo “visível” e “invisível”. O invisível estava povoado de forças que os antigos chamavam de “demônios”.

Não se contentou em ser apenas teórico. Na prática medicinal obteve curas espetaculares, qualificadas por vezes como milagrosas. Seus defensores se jactavam de ter curado sifilíticos, epilépticos, impotentes, surdos. No entanto, os adversários alegavam que, na realidade, não se tratavam mais do que melhorias passageiras.

A parte essencial de sua obra foi publicada “post-mortem’”. Suas descobertas propriamente científicas aparecem mescladas com dissertações filosóficas e exposições de teorias sociais. Para conhecer a fundo e compreender a medicina de sua época, alguém teria de ser a um só tempo cientista, médico e um erudito perfeitamente informado das ciências ocultas.

Na opinião de Paracelso, o médico não deveria se contentar em ser apenas um técnico do corpo, mas também um filósofo.

Algumas das regras de Paracelso diziam que, primeiramente, é preciso melhorar a saúde. Para tanto há que se respirar, fundo e ritmicamente, com a maior frequência possível, enchendo bem os pulmões, ao ar livre ou assomando a uma janela. Beber diariamente em pequenos goles dois litros de água, comer muitas frutas, mastigar os alimentos de modo o mais perfeito possível, evitar o álcool, o tabaco e os remédios, a menos que estejam submetidos a tratamento devido à causa grave.

Banhar-se diariamente é um hábito que se deve à própria dignidade. Para complementar, deve-se afastar por completo do estado de ânimo, por mais motivos que existam, toda ideia de pessimismo, rancor, ódio, tédio, tristeza, vingança e ressentimento.

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