Hoje na História: 1950 - Contrariando URSS, Conselho de Segurança mantém Taiwan como membro permanente

Decisão enfureceu representantes soviéticos, que passaram a boicotar o órgão, mas pagaram caro por isso

Max Altman


Pela segunda vez em uma semana, Jacob Malik, o representante soviético nas Nações Unidas, sai furioso de uma reunião do Conselho de Segurança, desta vez reagindo a uma derrota de sua proposta de expulsar o representante da China Nacionalista (Taiwan). Ao mesmo tempo, anunciou a intenção da União Soviética de boicotar futures reuniões do Conselho de Segurança.

Vários dias antes da reunião de 13 de janeiro de 1950, ele já havia abandonado uma sessão para demonstrar sua contrariedade pela recusa das Nações Unidas de cassar a delegação taiwanesa. A União Soviética havia reconhecido a República Popular da China como o verdadeiro e legítimo governo da nação chinesa e queria que a China continental substituísse a China capitalista nas Nações Unidas.

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Sala de reuniões do Conselho de Segurança da ONU, em Nova York

Malik todavia retornou à sala de sessões naquele 13 de janeiro a fim de votar o projeto de resolução de exclusão. Seis países – Estados Unidos, Reino Unido, China, Taiwan, Cuba, Equador e Egito – votaram contra a resolução, e três – União Soviética, Iugoslávia e Índia – votaram a favor. Malik imediatamente abandona a sessão, declarando que os Estados Unidos estavam “encorajando a ilegalidade" ao se recusar a reconhecer a “presença ilegal” dos representantes taiwaneses. Segundo ele, concluiu que “até os mais convictos reacionários” haveriam de reconhecer a justeza da resolução soviética e que seu país não se comprometeria com qualquer resolução aprovada pelo Conselho de Segurança se os representantes taiwaneses ali permanecessem.
 


Na esperança de impedir qualquer ação futura do Conselho de Segurança, Malik anunciou que a União Soviética não mais assistiria às sessões. Os restantes membros do Conselho decidiram prosseguir com as reuniões a despeito do boicote soviético.

No final de junho de 1950, evidenciou-se que a União Soviética havia dado um tiro no próprio pé quando a questão da invasão da Coreia do Norte à Coreia do Sul foi levada para apreciação pelo Conselho de Segurança. Em 27 de junho, o Conselho aprovou uma intervenção militar sob a égide das Nações Unidas pela primeira vez na história da organização. Os soviéticos poderiam bloquear a resolução no Conselho de Segurança, através de seu veto, uma vez que, pela entidade, seus cinco membros permanentes, (EUA, URSS, Reino Unido, França e China – bastava decidir qual) tinham essa prerrogativa. No entanto, os delegados soviéticos simplesmente não estavam presentes. Em poucos dias, uma força multinacional das Nações Unidas chegava à Coreia do Sul e uma dura e extenuante Guerra da Coreia, que duraria três anos, estava a caminho.

O Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) foi criado em 1945, no fim da Segunda Guerra Mundial, com o objetivo de manter a paz e a segurança internacionais. É ele que autoriza sanções econômicas, o envio de missões de paz e o uso da força. É considerado o órgão mais importante da ONU. Como membros permanentes estão as três potências vencedoras da Segunda Guerra Mundial – União Soviética (agora representada pela Rússia), Estados Unidos e Reino Unido – além da França e da China, que também tinham forte peso político. Eles têm direito de veto, ou seja, podem barrar a aprovação de qualquer resolução. Dessa forma, ser membro permanente garante muito mais poder ao país. Os outros dez membros são rotativos, eleitos pela Assembleia Geral da ONU, e cumprem mandato de dois anos. Essas vagas são divididas entre as regiões e os continentes.

Também nessa data:
1128 - Papa Honório II reconhece os cavaleiros da Ordem dos Templários
1535 - Sentindo-se ameaçado pela ideologia luterana, rei Francisco I proíbe qualquer impressão de livro
1898 - Émile Zola publica no jornal Aurore uma carta aberta ao presidente Felix Faure: "J'accuse!"
1953 - Médicos são acusados de conspirar contra a URSS
1963 - George Wallace é empossado governador do estado do Alabama

 

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