Hoje na História: 1635 - Richelieu cria a Academia Francesa

Concebida por Richelieu, instituição composta por 40 membros tem o objetivo de normatizar a língua francesa

Max Altman

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Instituto da França, sede da Academia Francesa, em Paris

Em 29 de janeiro de 1635, o cardeal Richelieu assina os decretos que criam a Academia Francesa. Sua função principal é normatizar e aperfeiçoar a língua francesa.

O nome da nova instituição veio do jardim Akademos, em Atenas, onde Platão ensinava filosofia. Na Renascença tinha-se o costume de chamar assim as sociedades de sábios onde se discutiam letras e ciências. Foi desse modo que Lourenço de Médicis constituiu em Florença um aerópago (conselho aristocrático) de aristas e de sábios à imitação de círculos de filósofos antigos.

A primeira academia dos tempos modernos, chamada de "Academia do Desenho" foi fundada em Florença pelo pintor Giorgio Vasari em 1561 e iria servir de modelo à Academia Real de Pintura e Escultura de Paris.

A França dos anos 1620 e 1630, sob o reinado de Luis XIII, conhecia uma efervescência intelectual inédita. Nos salões parisienses, a alta sociedade se vangloriava de exibir um linguajar exuberante, não sem excessos, que eram ironizados sob o nome de "preciosidades".

A marquesa de Rambouillet recebia em sua residência os letrados, poetas e gramáticos, entre eles o poeta Alfred Malherbe, Vincent Voiture, Georges de Scudéry e sua irmã, Guez de Balzac, Racan... cada qual querendo exceder o outro.

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Reunião da Academia Francesa, durante premiação em 2007

A Academia Francesa é fruto de outro pequeno grupo de letrados e eruditos que se reuniam semanalmente na casa de Valentin Conrart, secretário do rei Luís XIII. Um deles, François de Boisrobert, era secretário do primeiro ministro Richelieu e o pôs a par dessas reuniões.

Desses encontros, o hábil cardeal Richelieu tirou a ideia de se ligar à elite intelectual e de colocá-las a serviço do Estado e do poder monárquico. Queria promover a estética clássica em detrimento do preciosismo e do barroco.

Richelieu convida os eruditos a se constituir em instituição oficial e lhes oferece a proteção do governo. Estende o convite inicial a nove intelectuais e logo o amplia a 29 antes que o decreto estabelecesse definitivamente o limite de acadêmicos em 40 cadeiras.
 

Wikimedia Commons - Cardeal Richelieu
Os acadêmicos seriam eleitos por seus pares e permaneceriam em função até sua morte, daí o epíteto que logo surgiu, com um gosto um pouco irônico, de "os imortais".

A nova Academia se dedicaria a cultivar a língua francesa. O artigo 14 de seus estatutos enuncia: "A principal função da Academia será a de trabalhar com todo o carinho e toda a diligência possível no sentido de dotar certas regras ao nosso idioma e a de torná-la pura, eloquente e capaz de tratar das artes e das ciências".

Valentin Conrart, primeiro secretário perpétuo da Academia, garantia a prática da realização de reuniões semanais destinadas à redação de um Dicionário da Língua Francesa e ao aperfeiçoamento da língua.

Em 1638, Richelieu, preocupado em fazer calar os escárnios em torno da jovem Academia, a envolve em proporcionar uma avaliação sobre a tragédia de Cid, de autoria de Pierre Corneille e que fora representada no ano anterior. Foi a única vez em que a Academia se erigiu em crítico literário.

A operação descambou para uma barafunda de opiniões e jamais seria repetida.

Após a morte do cardeal, a Academia Francesa solicitou a proteção do chanceler  e depois do próprio rei. Tornou-se de fato um "corpo de Estado" a serviço da monarquia.

Dando prosseguimento à obra de seu entecessor, Mazarin funda em 1648 uma Academia de Pintura e Escultura, depois transformada em Academia de Belas Artes.

Em 1663, Colbert acrescenta a essas instituições uma Academia de Inscrições e Belas Letras, dedicada à história, à arqueologia e à filologia.

Uma Academia de Ciências nasce pouco tempo depois, em 1666, sinal da apetência do século XVII pelas ciências exatas e pelas ciências naturais, dotada, após 1785, de um secretário vitalício para cada uma dessas duas seções.

Em 1791, no princípio da Revolução Francesa, o acadêmico Chamfort considerou a Academia "ponto intermediário entre a Nação e os talentos" e reclama a dissolução "dos letrados (os acadêmicos tradicionais), dos titulados (os duques, condes e barões) e dos mitrados (membros do clero)". Isto concretamente ocorreu dois anos mais tarde, em 8 de agosto de 1793, sob o regime da Convenção, com a abolição das quatro academias reais.

Contudo, após a queda de Robespierre, os convencionais sentiram a necessidade de restaurar um "parlamento de sábios". Fundam então, em 25 de outubro de 1795, um Instituto Nacional de Ciências e Artes, o atual Instituto da França, dividido em três "classes" – nova denominação das academias -, entre as quais uma Academia de Ciências Morais e Políticas.

A partir de 1805, o Instituto passou a se reunir sob a famosa Cúpula do Colégio das Quatro Nações, em frente ao Museu do Louvre.

As quatro academias reais, entre as quais a Academia Francesa, são restabelecidas em sua plenitude em 1816 por Luis XVIII. Por fim, em 18 de outubro de 1832, sob o reinado de Luís Filipe I, François Guizot restaura a Academia de Ciências Morais e Políticas.

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