Hoje na História: 1943 - Alemães se rendem em Stalingrado

Uma semana antes, em 24 de janeiro, após várias tentativas, emissários do comando soviético chegaram às linhas alemãs com uma proposta de rendição

Max Altman




Em 31 de janeiro de 1943, cercadas em Stalingrado desde o fim de novembro do ano anterior, as tropas alemãs se rendem ao Exército Vermelho.

Uma semana antes, em 24 de janeiro, após várias tentativas, emissários do comando soviético chegaram às linhas alemãs com uma proposta de rendição. O comandante das tropas, general Friedrich Von Paulus, atormentado entre o dever de obediência ao Führer e a obrigação de salvar seus homens do aniquilamento, radiografou para Hitler: “As tropas estão sem munições e sem mantimentos. Não é mais possível um comando eficaz. Insensato prosseguir na defesa. Inevitável o colapso. O 6º Exército solicita imediata permissão para se render”. A resposta de Hitler foi enfática: “Proibida a rendição. O 6º Exército defenderá suas posições até o último homem e o derradeiro cartucho e com sua heróica resistência fará uma contribuição inesquecível para a salvação do mundo ocidental.”

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Em 31 de janeiro de 1943, cercadas em Stalingrado desde o fim de novembro do ano anterior, as tropas alemãs se rendem ao Exército Vermelho

A aviação alemã já nem conseguia mais abastecer seus soldados imobilizados no lugar que chamavam de “caldeirão”. Hitler, em desespero, tentou evitar a capitulação de Paulus, elevando-o à patente de marechal do Reich.

Em 28 de janeiro, o que restara de um grande exército dividiu-se em três pequenos bolsões. Na manhã do dia 30 (décimo aniversário da chegada dos nazistas ao poder), segundo uma testemunha ocular, o comandante sentou-se em seu leito de campanha, mergulhado em profunda depressão, e telegrafou de novo para Hitler: “Não se pode protelar o colapso final por mais 24 horas”.

Naquela noite, Goering emitiu pelo rádio palavras bombásticas: “Daqui a mil anos, os alemães falarão sobre a batalha de Stalingrado com reverência e respeito e se lembrarão que, a despeito de tudo, a vitória final da Alemanha foi decidida ali.”

O final foi tétrico. Na manhã do dia 31, Paulus enviou sua última mensagem ao quartel-general em Berlim: “O 6º Exército, fiel ao seu juramento e ciente da grande importância de sua missão, manteve até o fim sua posição, até o último homem e o último cartucho, pelo Führer e pela Pátria”. O radiotelegrafista acrescentou, por conta própria: “Os russos encontram-se à porta de nosso abrigo. Estamos destruindo nosso equipamento. CL”. No código internacional telegráfico, a sigla CL significa: "esta estação não mais fará transmissões".

Um esquadrão de soldados soviéticos, comandados pelo general Tchuikov, espreitou o porão escuro onde estava Paulus. O chefe do Estado-Maior, general Schmidt, o recebeu. Os soviéticos exigiram a rendição incondicional. Schmidt consultou Paulus, deitado em sua cama de campanha. A resposta foi o silêncio. Schmidt, sem hesitar, assinou a rendição.

Às 2h46 da tarde de 2 de fevereiro, um avião de reconhecimento alemão sobrevoou a cidade e radiografou para o quartel-general: “Nenhum sinal de luta em Stalingrado”.

Finalmente, o silêncio desceu sobre o campo de batalha, coberto de neve ensangüentada, onde havia sido travada a mais feroz e épica das batalhas da história do século XX.

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