Hoje na História: 532 - Justiniano ordena construção da Ayasofya em Constantinopla

Igreja, mesquita, museu: história milenar de Ayasofya já passou por destruições e tomadas de poder

Ana Carolina Marques

Ana Carolina Marques/Opera Mundi

Domo do mais suntuoso museu (e antes catedral e mesquita) da cidade de Istambul


Em 23 de fevereiro de 532, o imperador Justiniano I ordena a construção da atual Ayasofya: o que é hoje museu em Istambul desde 1935, começou como basílica cristã-ortodoxa no ano de 360, foi destruída por dua vezes, e passou a ser uma mesquita em 1453.

Também chamada de Hagia Sophia, a primeira palavra significa “divina” e a segunda é o som em latim da palavra grega para conhecimento. Maior catedral da cidade no período bizantino, a então Megale Ekklesia (Grande Igreja) foi destruída por revoltas populares em 404, como resultado de discordâncias entre a mulher do Imperador Arcádio, Eudoksia, e o patriarca da cidade, Chrysostomos, que foi exilado.

 

A segunda igreja foi reconstruída no mesmo lugar pelo imperador Teodósio II onze anos depois, mas, assim como a primeira, tinha teto de madeira e foi destruída em 532. Dessa vez, aristocratas e mercadores se uniram contra o reinado de Justiniano I – o mesmo que, pouco mais de um mês depois, ordena a construção da terceira e última Ayasofya.

Ana Carolina Marques/Opera Mundi

O minbar se situada abaixo dos painéis em homenagem a Allah, os maiores com caligrafia no mundo islâmico


Reza a lenda que sob cada um dos dois arquitetos, Anthemios Tralles e Isidoros Miletus, havia mais 100 arquitetos, e mais 100 trabalhadores sob cada um desses. Com colunas de Éfesus, rochas do Egito e mármore da Grécia, em cinco anos a catedral estava concluída e tinha 55 metros entre o chão e o centro do domo central. Durante a época do Império Romano do Oriente – a cisão aconteceu em 395 com a morte de Teodósio I -, a Ayasofya era a igreja principal, local de coroação de imperadores.

Em 1204 foi ocupada por latinos, durante as Cruzadas, e retomada pelos romanos do Oriente em 1261. Por 916 anos reinou como a mais importante igreja do oriente, até o sultão Mehmed II conquistar a então cidade de Constantinopla (hoje Istambul) em 1453 e ser transformada em mesquita. Minaretes e tapetes foram adicionados e a grandiosa mesquita serviu de exemplo para outras do período otomano, como a Sultan Ahmed (também chamada de “Mesquita Azul”) e a Süleymaniye. 

Exemplos dessa transição podem ser observados por um visitante: o minbar, púlpito muçulmano de onde o imã profere o sermão de sexta-feira, obviamente não foi planejado pelos arquitetos cristãos e foi depois instalado voltado para Meca, mesmo que essa direção pareça torta.

Sob Atatürk, a Turquia tornou-se um estado secular no fim da década de 1920 e, com decisão do Conselho de Ministros, Ayasofya foi transformada em museu a partir de 1935 e aberta ao público, com mosaicos e alas para exposição.

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Cerimônias religiosas são proibidas dentro da Ayasofya, apesar de haver uma sala separada para funcionários muçulmanos e cristãos

 

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