Hoje na História: 1096 - Arte Romana começa a se expandir na Europa

Consagração da Basílica de Saint-Sernin marca início do domínio de estilo arquitetônico de inspiração bizantina

Max Altman


Em 24 de maio de 1096, o papa Urbano II consagra a mesa do altar da Basílica de Saint-Sernin, perto de Toulouse com a assistência de não menos que 14 bispos e arcebispos. Esta cerimônia marca o início oficial do estilo arquitetônico conhecido como arte romana, de inspiração claramente bizantina.

A arte romana se expandiu no Ocidente após o ano 1000, por ocasião da renovação da Igreja. Era chamada de romana porque era inspirada na arquitetura do Império Romano do Oriente ou Império Bizantino. Essa arquitetura se caracterizava por abóbodas de meio canhão sustentadas por sólidos pilares em pedra. Com ela, a cristandade ocidental inaugurava um novo ciclo de desenvolvimento intelectual e artístico.

A partir de meados do século XII, a arte romana seria sucedida pela arte francesa ou arte gótica, caracaterizada por grandes catedrais.

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A Basílica de Saint-Sernin de Toulouse, cuja consagração deu início à arte Romana  

A nova igreja estava destinada ao acolhimento e ao recolhimento dos peregrinos que vinham venerar relíquias importantes entre elas um corpo que seria de "São Jacques, o Maior". Estava edificada a algumas centenas de metros da cidade. Seu nome evocava o primeiro bispo de Toulouse, martirizado no século III pelos romanos.

Construída sobre o túmulo do santo, Saint-Sernin é classificada por esta razão de basílica. A consagração do altar pelo papa Urbano II lhe valeria receber do Sumo Pontífice um suntuoso "ombrellino", uma espécie de guarda-sol que alterna listas em ouro e vermelho, as tradicionais cores do pontificado, e que guarnece o altar das grandes basílicas.

Ao longo do tempo, a basílica de Saint-Sernin iria prosperar e acolher cônegos e monges da Ordem dos Agostinianos.

Saint-Sernin de Toulouse pertence por sua arquitetura à segunda era da arte romana, com uma rara unidade de concepção. Conta-se entre as maiores igrejas romanas existentes.

Como todas as igrejas romanas edificadas entre o ano 1000 e o final do século XII em  Poitou, Auvérnia, Borgonha, Provence, Renânia... ela era projetada por um plano em forma de cruz latina. Com um pouco de imaginação, se poderia aí reconhecer o plano retangular das basílicas romanas, completadas pelos lados por dois tramos perpendiculares – os cruzeiros – que lembravam os braços da cruz de Cristo. O campanário se elevava bem acima do encontro entre os cruzeiros
 


Em Saint-Sernin, cada tramo era constituído de uma nave principal e de duas naves laterais de mesma altura. Cada nave comporta uma abóboda em canhão que se apoia em arcos em plena verga, os quais repousam sobre sólidos pilares. Contrafortes externos em alvenaria assim como arcos duplos reforçam a abóboda a cada distância.

A basílica de Saint-Sernin de Toulouse é um notável repositório da escultura romana como o mostra a porta Miegeville. Sob o arco em plena verga, o tímpano apresenta a ascensão de Cristo. Os apóstolos estão representados sobre o dintel inferior.

A construção de São Sernin começou por volta de 1080. Foi erguida pela mão firme de um cônego de nome Raymond Gayrard e quando morreu, em 1118, a construção se interrompeu bruscamente para ser retomada e concluída muito mais tarde.

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Cripta de Saint-Sernin de Toulouse

No primeiro período, a pedra e o tijolo rosa característico do vale do rio Garonne dividiam a preferência do arquiteto. No segundo período, o tijolo prevaleceu sobre a pedra e na estrutura começa a se fazer sentir a influência do estilo ogival ou gótico.

A arte romana se manifesta também na ouriversaria, nesse caso com o relicário de Santa Foy.

Esta estátua testemunha o culto das relíquias e os peregrinos que ocorreram a partir do princípio da Idade Média.

Abriga as relíquias da santa que asseguraram a prosperidade da abadia de Conques, por volta de 864, data em que as relíquias são escondidas numa igreja de Agen pelos monges de Conques.

Os milagres da santa justificariam esse "roubo piedoso": a santa manifestando sua preferência por Conques!

Feita de placas de ouro e de prata sobre madeira, o relicário foi, ao longo dos séculos bastante modificado e incrustado de joias oferecidas pelos fieis.

O "tesouro de Conques", escondido pelos habitantes durante a Revolução, manteve-se sempre conservado na abadia.

Também nesta data:
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