Hoje na História: 1305 - Guerreiro escocês William Wallace é executado por se opor ao rei inglês

Um herói para a Escócia, Wallace liderou rebeldes mal armados e sem treinamento contra o poderoso exército britânico

Redação

Atualizada em 23/08/2015, às 6h00

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Um personagem cercado de lendas, William Wallace, nascido entre 1272 e 1273 e morto em 23 de agosto de 1305, foi um guerreiro escocês que liderou seus compatriotas contra a dominação inglesa imposta pelo reinado de Eduardo I. Embora esteja morto há sete séculos, William Wallace ainda vive na história e na imaginação da Escócia.

Recentes biógrafos situam o seu nascimento em Ellerslie, Ayrshire, ainda que a tradição oral o situe em Elderslie, Renfrewshire. Ele nasceu em uma época complicada, pois por volta de 1286 o Rei Alexander III que comandava a Escócia morreu, deixando não apenas o trono vago, mas também criando diversos conflitos internos para saber quem iria assumir o posto de Rei.

Seu pai era servo do Alto Administrador da Escócia, James Stewart e provavelmente Wallace foi educado em Paisley Abbey, pois sabia latim e francês. Ele se casou com Marian Braidfoot por volta de 1297 na igreja de St. Kentingern, em Lanark como foi retratado no filme Coração Valente, estrelado pelo ator australiano Mel Gibson. Marian (ou Murron) foi assassinada a mando do xerife inglês de Lanark, William de Hazelrig, em maio de 1297. Acredita-se que ele já havia se revoltado contra os ingleses antes do assassinato de Marian, que teria ocorrido em represália.

Ao mesmo tempo em que Wallace estava atacando Hazelrig, Andrew Moray estava liderando um ataque contra os ingleses nas Highlands. Houve, também, outras rebeliões por todo o país naquela ocasião. A inquietação existia devido à imposição de regras estritas aos escoceses. Após John Balliol, que esteve no trono da Escócia por um breve período, ter renunciado ao reinado, Eduardo I assumiu o controle do trono da Escócia.

Com um exército mal armado e sem ter sido treinado, Wallace foi para a batalha. A primeira grande luta foi a famosa Batalha de Stirling, onde os escoceses enfrentaram frente a frente o poderosíssimo exército inglês e graças a capacidade e inteligência de Wallace venceram. Após essa batalha, ele foi nomeado chefe dos exércitos escoceses por Robert Bruce.

Eduardo I e seus homens finalmente foram para a Escócia, em julho de 1298, mas uma das táticas de Wallace era remover todos os animais e pessoas do caminho que os ingleses tomariam através da Escócia para encontrá-lo. Isso garantiria que os ingleses não encontrariam provisões nem informações ao viajarem para o norte. Uma outra tática de Wallace era treinar seus homens para usar shiltrons (grupos de homens armados com lanças virados para todas as direções), formando uma defesa como a de um porco-espinho ou ouriço.

Porém, o exército inglês era muito maior do que o escocês e, a despeito dos melhores esforços de Wallace, os ingleses dizimaram os escoceses na Batalha de Falkirk. A derrota também matou a esperança dos escoceses, assim os nobres acabaram cedendo e se rendendo às ordens do rei inglês. Enquanto a Escócia se entregava, Wallace viajava escondido por diversos lugares tentando encontrar uma maneira de libertar seu país. Muito pouco se sabe sobre as atividades de Wallace depois da renúncia até a sua captura e execução, em 1304.

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Julgamento de William Wallace em Westminster Hall, quadro de Daniel Maclise, de 1870

Ele foi levado para Londres imediatamente em 22 de agosto, onde foi exposto pelas ruas de Fenchurch na manhã seguinte, onde as multidões, da mesma forma que no filme, zombaram dele e lhe atiraram comida e pão podres pois os ingleses foram levados a acreditar que Wallace era um impiedoso fora-da-lei que havia morto ingleses inocentes e que deveria ser punido.

Lá ele foi julgado, sem direito a defesa e condenado a morte na hora. Primeiro ele foi enforcado, até quase perder os sentidos, depois foi amarrado e teve as entranhas arrancadas. Por último sua cabeça foi cortada e seu corpo picado e distribuido pela cidade. Sua cabeça foi colocada em um pique na Ponte de Londres, de modo que todos a vissem, como advertência para outros possíveis "traidores".

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