Hoje na História: 1968 - Tropas dos EUA cometem o massacre de My Lai

Episódio foi a mais alarmante atrocidade de guerra cometida pelas tropas dos Estados Unidos no Vietnã

Max Altman

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Atualizada em 12/03/2018 às 15:12

Em 16 de março de 1968, naquela que viria a ser a mais alarmante atrocidade de guerra cometida pelas tropas dos Estados Unidos no Vietnã, um pelotão de homens raivosos e frustrados da Companhia Charlie, 11ª Brigada da Divisão Americal matou com requintes de selvageria entre 400 e 500 aldeães desarmados em My Lai, um casario situado nas terras baixas costeiras do norte do Vietnã do Sul.

Segundo se informou, o massacre só foi interrompido quando o piloto de um helicóptero de observação, Hugh Thompson, aterrissou seu aparelho entre os militares norte-americanos e os sul-vietnamitas que fugiam bloqueando e impedindo que os soldados prosseguissem em sua ação contra os civis locais. O massacre foi acobertado porém veio à tona um ano depois. Quando as notícias das atrocidades começaram a surgir o aturdimento no establishment político dos EUA ficou notório, a cadeia de comando militar ficou paralisada e perplexa e a maioria da opinião pública norte-americana passou a manifestar sua indignação. Foi o jornalista Seymour Hersh que, em novembro de 1969, publicou uma reportagem detalhando suas conversas com um veterano de Guerra do Vietnã, Ron Ridenhour. Ridenhour tinha ouvido falar dos acontecimentos de My Lai da boca de membros da Companhia Charlie. Antes de fazer as revelações a Hersh, tinha apelado ao Congresso, à Casa Branca e ao Pentágono para abrir inquérito.

My Lai estava situado numa região pesadamente minada onde as guerrilhas do Vietcong estavam firmemente entrincheiradas. Numerosos soldados desse pelotão norte-americano haviam sido mortos ou mutilados durante o mês precedente. O tenente William Calley, comandante do pelotão, liderava seus homens numa missão de busca e destruição. A unidade entrou na aldeia e encontraram somente mulheres, crianças e idosos. Frustrados pelas perdas devidas às minas e aos franco-atiradores, os soldados descarregaram sua raiva sobre os habitantes do vilarejo. Durante o massacre que se seguiu. muitos dos idosos foram perfurados por baionetas; algumas mulheres e crianças que rezavam no adro do templo local foram fuziladas pela nuca; pelo menos uma menina foi estuprada antes de ser morta; outros foram reunidos e levados a uma vala próxima onde foram executados.

Wikicommons

Soldado Capezza  ateia fogo em casa na aldeia 

Uma corte marcial investigou os acontecimentos e produziu uma lista de 30 pessoas que sabiam da atrocidade. Somente 14, inclusive Calley e o comandante da companhia, capitão Ernest Medina, foram acusados dos crimes. Todos, ao final, tiveram sua culpabilidade revogada e foram absolvidos por cortes marciais, com exceção de Calley, julgado culpado de ter pessoalmente assassinado 22 civis e sentenciado a prisão perpétua. Sua sentença foi reduzida a 20 anos pela Corte Militar de Apelação e posteriormente reduzida a dez anos pelo secretário de Defesa. Considerado por muitos como um bode expiatório, foi–lhe concedida liberdade condicional em 1974 depois de ter cumprido apenas um terço de sua pena de 10 anos.

Quando os detalhes de My Lai chegaram ao conhecimento público, sérias questões afloraram concernentes à conduta dos soldados americanos no Vietnã. Uma comissão militar que investigou o massacre encontrou falhas disseminadas de liderança, de disciplina e baixa moral das tropas combatentes.

Calley, desempregado, que tinha abandonado a escola de ensino médio, tratou de alistar-se e se graduar na Academia de Candidatos a Oficial em Fort Benning, no estado da Geórgia, em 1967. Em seu julgamento, Calley declarou que o capitão Medina lhe ordenou que matasse quem encontrasse pela frente na aldeia de My Lai. No entanto, havia suficientes provas fotográficas e registros para incriminá-lo. Condenado à prisão perpétua foi libertado em 1974 depois de seguidos recursos. Ganhando a liberdade, contrariando parte da opinião pública, Calley abriu uma empresa de segurança privada.

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