Hoje na História: 1882 - Morre o socialista Louis Blanc, defensor dos trabalhadores franceses

Revolucionário, defendeu cooperativas controladas pelos trabalhadores, com ajuda governamental

Max Altman

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Louis Jean Joseph Charles Blanc, socialista francês, destacada figura política, morre em Cannes em 6 de dezembro de 1882.

Teve importante participação na Revolução de 1848, quando suas ideias foram colocadas em prática devido à coalizão entre liberais e socialistas, na tentativa de derrubar a monarquia. Segundo Louis Blanc, seriam criadas associações profissionais de trabalhadores de um mesmo ramo de produção, as Oficinas Nacionais, financiadas pelo Estado. O lucro seria dividido entre o Estado, os associados e para fins assistenciais.

Blanc era filho do inspetor-geral de finanças do rei da Espanha, Joseph Bonaparte, irmão de Napoleão. Pouco depois da Revolução de 1830, que arruinou sua família, parte para Paris e se inscreve no Partido Republicano. Para ganhar a vida, torna-se preceptor do filho de um construtor de máquinas de Arras. Descobre a classe operária e se liga progressivamente à causa.

Estudou Direito em Paris. Vivendo na pobreza, colaborou em vários jornais. Na "Revue du Progrés", que defendia a extensão do sufrágio universal, publicou em 1839, "A Organização do Trabalho" em que critica a economia liberal e a concorrência exacerbada que levavam à morte aqueles que nada possuíam. Opõe-se aos patrões e exorta os operários a lutar e se associar a fim de defender seus direitos e evitar a miséria. Para ele, a evolução da economia deve ser guiada pela fraternidade.

Preconiza, paralelamente às empresas privadas, a criação de associações operárias de produção, as oficinas sociais, com fins lucrativos, que seriam controladas pelo Estado no primeiro ano.

A visão de se valer do governo foi o que o distinguiu dos outros teóricos socialistas. Blanc acreditava que os trabalhadores poderiam controlar seus próprios meios de subsistência, porém, só se recebessem ajuda para dar início às oficinas cooperativas. Por conseguinte, Blanc projetou o financiamento nacional destas oficinas até que os trabalhadores pudessem assumir o controle. Quando a proposta foi lançada na Assembleia Nacional, seu principal rival, Émile Thomas, foi colocado no controle. Thomas, no entanto,  não foi tão eficiente nesse controle e acabou provocando irritação na população.

A promessa havia sido de emprego e bom ambiente de trabalho em que os trabalhadores estariam no comando. Receberam em troca duros trabalhos braçais, em totais condições de precariedade, além de salários miseráveis.
 


Blanc era totalmente contrário à ideia de uma restauração napoleônica, prevendo que seria "despotismo sem glória", "Império sem o Imperador." Com a publicação em 1841 de “A História de Dez Anos” (1830 à 1840), Blanc adquire uma reputação de historiador panfletário. Em 1843, participa de um jornal de oposição, “A Reforma”.

Em 1847, publicou os dois primeiros volumes de sua "Histoire de la Révolution Française", que teve a publicação interrompida pela Revolução de fevereiro de 1848. Após a revolução, Blanc torna-se membro do governo provisório da II República. Não tendo podido obter um ministério ligado ao trabalho, é encarregado de uma comissão em prol dos trabalhadores, sem orçamento nem poder real. Tenta pôr em prática suas ideias: associações, conciliações entre patrões e assalariados, propostas de projetos de lei. Porém, depois do êxito dos conservadores em abril de 1848, é descartado do governo por suas idéias socialistas. Suspeito de ter participado das manifestações de junho de 1848, exilou-se na Inglaterra até 1870.

Eleito deputado à Assembleia Nacional em 1871, Louis Blanc afirmava que a República era "a forma necessária da soberania nacional" e se opõe à Comuna de Paris, porque, a seus olhos, violava a legalidade. Em 1878, ele defendeu a abolição da Presidência e do Senado. É eleito deputado de extrema-esquerda em 1876, mas perde influência nos debates parlamentares. Ao lado de Victor Hugo, defende em 1879 o projeto de anistia aos "communards".

Este foi seu último ato importante. Seus anos de declínio foram marcados por problemas de saúde e pela morte da esposa, Christina Groh, em 1876. Morreu em Cannes em 6 de dezembro de 1882. Em 12 de dezembro recebeu em Paris funerais de Estado.

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