Hoje na História: 2000 - Suprema Corte dos EUA confirma Bush como presidente

Eleição presidencial norte-americana foi uma das mais apertadas e com resultado mais controverso na história

Max Altman

Em 12 de dezembro, a Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu em uma votação de 7 a 2 que a decisão do Tribunal da Flórida exigindo uma recontagem dos votos em todo o estado era inconstitucional, pelo que o total previamente certificado deveria ser mantido. O resultado, na prática, confirma o republicano George W. Bush como novo presidente dos Estados Unidos.

A eleição presidencial de 2000 foi uma disputa entre o candidato republicano George W. Bush, então governador do Texas, e filho do ex-presidente George H. W. Bush (1989-1993) e o candidato democrata Al Gore, então vice-presidente. Bush ganhou as eleições de 7 de novembro por uma margem estreitíssima, com 271 votos no Colégio Eleitoral contra os 266 de Gore, com a abstenção de um eleitor.

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George W. Bush ficou com os 25 votos da Flórida e foi eleito presidente dos EUA

Esta eleição ficou marcada pela controvérsia sobre a concessão dos 25 votos no Colégio Eleitoral da Flórida, o subsequente processo de recontagem dos votos nesse estado e o acontecimento invulgar de o candidato vencedor ter recebido menos votos populares do que o perdedor: Gore somou 50.999.897 votos contra 50.456.002 de Bush. Mas não é isso que vale. Era a quarta eleição em que o vencedor no Colégio Eleitoral não recebeu também a maioria do voto popular.

Com exceção da Flórida e do estado natal de Gore, o Tennessee, Bush ganhou nos estados do Sul por margens confortáveis – inclusive o estado natal do presidente Bill Clinton, Arkansas – assegurando também vitórias em Ohio, Indiana, na maioria dos estados rurais do Centro-Oeste, na maioria dos estados das Montanhas Rochosas e no Alasca. Gore venceu nos estados do nordeste dos Estados Unidos, com a única exceção de New Hampshire, a maior parte dos estados rurais da região Centro-Oeste Superior e em todos os estados da Costa do Pacífico (Washington, Oregon e Califórnia) e no Havaí.

A medida que a noite avançava, os resultados num punhado de estados de pequeno e médio tamanho, incluindo Wisconsin e Iowa, estavam apertados. No entanto, seria o estado da Flórida o fiel da balança.

Na manhã seguinte, Bush já tinha conquistado um total de 246 votos eleitorais, enquanto Gore abocanhara 255 votos. Seriam necessários 270 votos para sair vencedor. Dois estados menores - Novo México (5 votos) e Oregon (7 votos) - ainda se mantinham na disputa. Foi na Flórida (25 votos), porém, que os meios de comunicação social concentraram a sua atenção. Ao fim, penderam em favor de Gore. Matematicamente, os 25 votos da Flórida tornaram-se a chave para a vitória de qualquer dos lados. Ao fim, penderam em favor de Gore.

O resultado final, passado um mês, ainda não era conhecido, devido ao longo processo de contagem e recontagem.

Por volta das 7h50, 10 minutos antes do encerramento das urnas na zona de maioria republicana da Flórida, Panhandle, redes de televisão declararam, baseadas em sondagens, que Gore tinha vencido os 25 votos da Flórida. Na contagem real, no entanto, Bush começou a assumir a liderança e, às 22h as redes recuaram da previsão e colocaram o estado na coluna de “indecisos”. Às 2h30, com 85% dos votos apurados e com Bush liderando por mais de 100 mil votos, as redes anunciaram que Bush havia ganho a Flórida e, portanto, tinha sido eleito presidente.

Contudo, a grande maioria dos votos a serem contabilizados estava localizada em três condados fortemente democratas: Broward, Miami-Dade e Palm Beach. À medida que os votos foram sendo apurados, Gore começou a ganhar terreno. Por volta das 4h30, depois de todos os votos contados, Gore tinha reduzido a margem de Bush para pouco mais de 2 mil votos. A mídia retira então a previsão de que Bush havia sido eleito presidente. Gore, que em privado reconhecera a eleição de Bush, reconsidera. O resultado final na Flórida era magro o suficiente para exigir uma recontagem. Feita a recontagem, a vantagem de Bush decresceu para cerca de 300 votos. Uma soma de votos de militares no exterior aumentou a margem para cerca de 900 votos.

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Distribuição de votos por condados em todo o território norte-americano

O centro da controvérsia pós-eleitoral girou em torno de pedido de Gore para recontagens manuais em quatro condados – Broward, Miami Dade, Palm Beach e Volusia. A Secretária de Estado da Flórida, Katherine Harris, anunciou que ela iria rejeitar quaisquer revisões dos totais daqueles condados se não fossem entregues até 14 de novembro. O Supremo Tribunal da Flórida estendeu o prazo para 26 de novembro, decisão posteriormente anulada pela Suprema Corte. Miami-Dade interrompeu a recontagem e transmitiu a totalização original para o "state canvassing board" (conselho de prospecção do estado), enquanto Palm Beach não conseguia cumprir o prazo.

Em 26 de novembro, o conselho certificou Bush como o vencedor.

Gore contestou formalmente os resultados e o Supremo Tribunal da Flórida ordenou a recontagem manual de mais de 70 mil votos. A Suprema Corte, porém, revogou a decisão, proclamando o resultado final do pleito a favor do republicano.

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