Hoje na História: 1975 - Capital do Camboja cai nas mãos do Khmer Vermelho

Partido Comunista obrigou população a deixar Phnom Penh, concentrando-a em campos de trabalho forçado

Max Altman

Wikicommons
Em 17 de abril de 1975, a capital do Camboja, Phnom Penh, cai nas mãos do Khmer Vermelho.

A Guerra Civil Cambojana foi um conflito que envolveu as forças do Partido Comunista do Kampuchea (atual Camboja), conhecido como o Khmer Vermelho, liderado por Pol Pot.

[Lon Nol, que governava o Camboja à época da queda de Phnom Penh para o Khmer Vermelho]

Em março de 1970, Lon Nol derrotara o príncipe Norodom Shianuk com um golpe de Estado, com a ajuda dos Estados Unidos, porque presumivelmente Norodom simpatizava com o Vietnã do Norte e o Vietcong na guerra contra Washington.

A luta foi agravada pelas ações dos aliados dos dois beligerantes. O Exército Popular do Vietnã do Norte necessitava proteger as suas bases e santuários na região leste do Camboja. Os Estados Unidos, por sua vez, foram motivados pela necessidade de ganhar tempo para a sua retirada do sudeste asiático e para proteger seu aliado, o Vietnã do Sul. Assim, o governo de Lon Nol foi apoiado com ajuda material e financeira direta e com maciços bombardeios aéreos das áreas ocupadas pelo Vietnã do Norte.

Após cinco anos de luta feroz com enormes baixas, destruição da economia, fome e atrocidades graves, o governo republicano foi derrotado em 17 de Abril de 1975, quando o Khmer Vermelho, que se havia fortalecido enormemente, proclamou a criação do Kampuchea Democrático.

Histórico

Em 11 de março de 1967, quando o príncipe Shianuk estava visitando a França, uma rebelião eclodiu na província de Battambang, onde os aldeões enfurecidos atacaram uma brigada de cobradores de impostos. Lon Nol, atuando na ausência do príncipe, decretou a lei marcial. Centenas de camponeses foram mortos e vilarejos destruídos durante a repressão. 

Ao retornar, Shianuk abandonou sua posição moderada e ordenou a prisão dos opositores. Em reação, o Partido Comunista criou o Khmer Vermelho, liderado por Pol Pot, Ieng Sary e Son Sem. A guerrilha Khmer foi nomeada segundo a etnia Khmer, predominante no Camboja.

Em 17 de janeiro de 1968, foi lançada a primeira ofensiva dos guerrilheiros, que não contavam com mais de 4 a 5 mil combatentes – o número cresceria para 100 mil em poucos anos. Em 11 de maio de 1969, Shianuk criou, com apoio da Casa Branca, um governo de Salvação Nacional, com Lon Nol como primeiro-ministro.

Durante o conflito, a guerrilha Khmer recebeu apoio militar do Vietnã do Norte, da China e da União Soviética.

Em 12 de Março de 1970, Lon Nol fechou o porto de Sihanoukville e deu um ultimato ao príncipe Shianuk para que abandonasse o país em 72 horas, acusando-o de simpatia com o Vietnã do Norte. O príncipe partiu, primeiro para Moscou e em seguida para Pequim. Em 18 de março, a pedido de Nol, a monarquia constitucional foi abolida e, no lugar, foi proclamada a República Khmer, tendo Nol como presidente.

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Bandeira do Khmer Vermelho, que tomou Phnom Penh em 1975

Diante da iminência da ofensiva do exército norte-vietnamita a Phnom Penh, Lon Nol deu início a uma violenta repressão contra os 400 mil vietnamitas habitantes do Camboja, na esperança de poder usá-los contra as tropas de Nguyen Van Giap. Entretanto, em 15 de abril, corpos de 800 vietnamitas apareceram boiando no rio Mekong. O Vietnã do Norte e o Vietcong condenaram duramente o massacre de seus conterrâneos.

Em 17 de Março de 1973, o ex-oficial So Potha, filho de Shianuk, sequestrou um avião de caça e lançou duas bombas sobre o palácio presidencial. Mais de 20 soldados morreram e 35 ficaram gravemente feridos. O presidente Lon Nol foi à rádio do país e acusou: "Há um grupo de traidores e inimigos que querem destruir a República e me matar”.

Em 12 de abril de 1975, ante o avanço das forças do Khmer Vermelho, a embaixada dos Estados Unidos teve de ser evacuada. Lon Nol e todo o gabinete governamental, além de muitos estrangeiros, inclusive jornalistas correspondentes, tiveram de evacuar Phnom Penh, antes da sua queda em mãos de Pol Pot. Às 10h00 de 17 de abril, o general Mey Chan, do exército khmer anuncia anunciou a rendição da capital.

O povo cambojano acolheu o Khmer Vermelho com alegria, acreditando que tudo iria mudar com a chegada da paz. A isso se somava a vitória do Vietnã do Norte e Vietcong sobre os norte-americanos e vietnamitas do sul, além do triunfo do Pathet Lao no Laos sobre o governo de Souvanna Phouma.

Desfecho

Logo após a vitória, entretanto, o Khmer Vermelho obrigou a população a deixar Phnom Penh, concentrando-a em campos de trabalho forçado de plantação e colheita de arroz. Ali, torturaram e assassinaram sob vários pretextos dezenas de milhares de pessoas. Isso provocou um êxodo em massa para a vizinha Tailândia.

Em 1979, tropas do Vietnã, agora unificado, invadiram o Camboja, terminando com o terror e as violações dos direitos humanos, além de revelar ao mundo as atrocidades cometidas pelo Khmer Vermelho. Calcula-se que entre 800 mil e 2,5 milhões de cambojanos tenham morrido em consequência da fome e de doenças.

O país – República Popular de Kampuchea - mergulha no caos político, econômico e social. Em junho de 1982, as forças oposicionistas formam uma aliança, liderada por Shianuk, Son Sann e um dos chefes remanescentes do Khmer Vermelho, Khieu Samphan. A aliança recebe o apoio da China e dos Estados Unidos. A União Soviética prossegue auxiliando o governo de Samrin.

Em setembro de 1989, o Vietnã inicia a retirada do país. Em 1990, as Nações Unidas elaboraram um plano de paz que previa o estabelecimento de um regime democrático, o qual foi aceito por todas as facções.

Em 1991, Shianuk foi nomeado presidente do Conselho Supremo, recuperando o trono ao ser reimplantada, em 1993, a monarquia parlamentar. Compôs-se um governo de coalizão formado pelo Partido Popular Comunista do Camboja de Hun Sen e os monarquistas do príncipe Norodom Ranaridh, filho de Shianuk.

A coalizão se desfez em meados de 1997, quando ambas as partes pegaram em armas e iniciaram combates na capital e no norte do país. Hun Sen tomou o poder e anunciou a realização de eleições livres para o ano seguinte. Atualmente, o país desfruta de uma paz estável.
 

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