Hoje na História:1862 - Escritor francês Victor Hugo publica “Os Miseráveis”

Imenso sucesso popular na época, obra explora a filosofia política do autor ao abordar a cooperação – e não luta – de classes

Max Altman

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Atualizada em 02/04/2015

Em 3 de abril de 1862, durante exílio na ilha de Guernsey, Victor Hugo (1802-1885) publicou o livro Os Miseráveis, uma verdadeira epopeia popular que imortalizaria personagens como Jean Valjean, presidiário em liberdade condicional. O pano de fundo é a história recente, a partir da batalha de Waterloo até a insurreição republicana de 1832.

Capa de edição francesa dos anos 1960 Filho de um general do Império constantemente ausente, Victor Hugo foi criado basicamente por sua mãe. Aluno ainda do Liceu Louis Le Grand, tornou-se conhecido ao publicar a sua primeira coletânea de poemas Odes, recebendo uma pensão de Luís XVIII.

Líder de um grupo de jovens escritores, Hugo publicou em 1827 sua primeira peça de teatro em verso, Cromwell, seguida por Orientales e Hernani.

Ao lado de Nerval e Gauthier, torna-se o porta-voz do romantismo. Em 1831, publicou seu primeiro romance histórico, Notre-Dame de Paris (O Corcunda de Notre-Dame), e sete anos depois, a obra-prima romântica Ruy Blas. Em 1841, foi eleito para a Academia Francesa.

Carreira política

Em 1843, a morte de sua filha Leopoldine o atormentou e o empurrou a rever suas ações. Empreendeu então uma carreira política. Elege-se para a Assembleia Constituinte em 1848 e tomou posição contra o modelo de sociedade que o cercava: a pena de morte, a miséria, a ordem moral e religiosa. Ardoroso opositor do golpe de Estado de 2 de dezembro de 1851, teve de ir para o exílio em Jersey e Guernesey e lá permaneceu até 1870.

Os Miseráveis, que conheceu um imenso sucesso popular na época, expõe claramente a filosofia política de Hugo. É um mundo em que há cooperação – e não luta – de classes; em que o empreendedor desempenha uma função essencialmente benéfica para todos; em que o trabalho é o meio essencial do aprimoramento pessoal e social; em que a intervenção do Estado por motivos moralistas - seja do policial ou do revolucionário obcecado pela justiça terrena - é um dos principais riscos para o bem geral.
 
A obra narra a história de Jean Valjean, que, por ver os irmãos passarem fome assalta uma padaria para roubar um pedaço de pão. Preso, é condenado a 5 anos. Acaba sendo condenado outras vezes por tentativas de fuga e mau comportamento na cadeia, tendo de cumprir 19 anos de reclusão.

Posto em liberdade condicional tem de se apresentar regularmente às autoridades, condição que, apesar dos altos riscos, nunca cumpriu. Valjean se sente marginalizado por todos, pois carrega o "passaporte amarelo" que o identifica como ex-presidiário. Um bispo, Bienvenu, o ajuda, mas ao invés de se mostrar grato rouba sua prataria. É preso, pois as peças de prata ostentavam o brasão do bispo. No entanto, o bispo se recusa a denunciá-lo e diz que era um presente que tinha dado a Valjean.

Lição de solidariedade

O bispo é para ele um homem de Deus, que lhe deu lição de solidariedade e o trata como filho, fazendo com que volte a crer na humanidade. Após 9 anos sob nova identidade, Valjean prospera como negociante de vidrilhos, tornando-se um homem rico e respeitado como prefeito da pequena cidade de Vigau.

Desolado diante do drama de uma das suas operárias, Fantine, demitida de sua fábrica, e que tem de recorrer à prostituição para sustentar sua filha, Cosette, Valjean decide salvar a criança, adotando-a, mas não a tempo de impedir a morte da mãe.

Ocorre que o inspetor Javert é transferido para a mesma cidade. Javert era o homem que tratara o prisioneiro Valjean com crueldade. Quando Javert o reconhece, fica obcecado em desmascarar o prefeito, que não se apresentara para cumprir as condições de sua liberdade.

Caçada sem tréguas

Contudo, um outro homem é acusado de ser Jean Valjean, mas o verdadeiro Jean Valjean, que estava no tribunal durante o julgamento, diz que o acusado é inocente, provando que ele é Jean Valjean. Isto fará com que Javert inicie uma caçada sem tréguas para prender Valjean, o que o faz passar toda a vida fugindo com Cosette por todos os cantos do mundo.

Até que, retornam para a França, e lá permanecem na casa de um velho amigo. Cosette se apaixona por Marius, um jovem aristocrata ligado aos meios revolucionários parisienses. Ao descobrir que o amor de Cosette não podia ser combatido, Valjean, apesar da presença de Javert, vai retirar Marius das barricadas, durante uma revolta, e o transporta ferido através dos esgotos de Paris.

Finalmente, Javert acaba por se convencer que toda a perseguição de décadas não passava de crime contra “um homem de Deus” e se suicida. Jean Valjean morre tendo ao lado Marius e Cosette.

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