Hoje na História: 1830 - Físico e matemático Jean Baptiste Fourier morre em Paris

Cientista foi um dos primeiros a propor teoria acerca do efeito estufa e fundou a Universidade Real de Grenoble

Max Altman

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Atualizado às 8h em 16/05/16

*Max Altman (1937-2016), advogado e jornalista, foi titular da coluna Hoje na História da fundação do site, em 2008, até o final de 2014, tendo escrito a maior parte dos textos publicados na seção. Entre 2014 e 2016, escreveu séries especiais e manteve o blog Sueltos em Opera Mundi.

Físico e matemático francês, Jean Baptiste Joseph Fourier morreu em Paris no dia 16 de maio de 1830. Entre suas principais contribuições à ciência, ele é provavelmente um dos primeiros a ter proposto, em 1824, uma teoria segundo a qual os gases da atmosfera terrestre aumentam a temperatura na superfície – em uma primeira manifestação do que hoje é conhecido como efeito estufa.

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Fourier foi enterrado no cemitério Père-Lachaise
Além disso, Fourier ficou conhecido por seus trabalhos sobre a decomposição das funções  periódicas em séries trigonométricas convergentes, chamadas de “Séries de Fourier”, e sua aplicação ao problema da propagação do calor.

Nascido em 21 de março de 1768, ficou órfão de pai e mãe aos 10 anos. Destinado ao estado monástico no pensionato em que vivia, preferiu se dedicar às ciências, conquistando na escola a maioria dos primeiros prêmios. Aluno brilhante, Fourier foi promovido professor aos 16 anos.

Dez anos mais tarde, ele ingressou na renomada Escola Normal Superior, onde teve professores como Gaspard Monge e Pierre Laplace, a quem sucederia na cátedra de física da Politécnica em 1797.

Um ponto a ser levado em conta é o conturbado período histórico em que Fourier viveu: participante ativo da Revolução, o cientista quase foi guilhotinado durante o período do Terror, sendo salvo no último segundo pela queda de Robespierre. Em 1798, contudo, foi designado para fazer parte da campanha de Napoleão no Egito. Lá, ocupou um alto posto de diplomata e tornou-se secretário do Instituto do Egito, onde animou a vida científica. Em seu retorno à França quatro anos depois, Napoleão o nomeia prefeito da cidade de Isere.

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Sem abandonar a área acadêmica, Fourier fundou, em 1810, a Universidade Real de Grenoble da qual se tornaria reitor, acolhendo nomes como Jean-François Champollion. Nessa direção, ele participou igualmente da vida intelectual local mediante uma sociedade de sábios, a Academia Delfinense.

Foi em Grenoble que levou a efeito suas experiências sobre a propagação do calor que lhe permitiram padronizar a evolução da temperatura por meio de séries trigonométricas. Esses trabalhos, que trouxeram grande avanço à modelização matemática dos fenômenos, contribuíram com os fundamentos da termodinâmica. Abriram, paralelamente, caminho à Teoria das Séries de Fourier e das Transformadas de Fourier. Todavia, a simplificação excessiva dessas ferramentas seria bastante contestada, notadamente por Laplace.

No campo político, manteve o cargo de prefeito até 1815, quando renunciou e partiu de volta para Paris. Em 1817, foi eleito membro da Academia de Ciências, tornando-se seu secretário perpétuo da seção de ciências matemáticas com a morte de Jean-Baptiste Delambre em 1822. Em 1826, foi eleito membro da Academia Francesa. Quatro anos depois, quando morreu, Fourier foi enterrado no cemitério Père-Lachaise de Paris, ao lado de Champollion.

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