Hoje na História: 1991 - Morre pianista chileno Cláudio Arrau León

'Esse menino há de ser minha obra-prima', disse maestro alemão Martin Krause quando Arrau ainda era criança

Max Altman

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Atualizado às 8h em 09/06/2016

Cláudio Arrau León, célebre pianista chileno, considerado um dos maiores do mundo, famoso por suas profundas interpretações de um extenso repertório que abarcava desde o barroco até composições do século 20, morre em Mürzzuschlag, Áustria, em 9 de junho de 1991, aos 88 anos. Seus restos estão sepultados no Paseo de los Artistas do Cemitério de Chillán, sua cidade natal. Arrau foi, ainda criança, aluno do maestro alemão Martin Krause, que disse: “Esse menino há de ser minha obra-prima”.

Memória Chilena
Cláudio Arrau foi um dos maiores pianistas de seu tempo
Arrau nasceu em Quirihue em 7 de fevereiro de 1903, tomando as primeiras lições de piano de sua mãe pianista Lucrécia Bravo. Quando tinha três meses, a família mudou-se para Chillán, onde foi registrado junto aos seus irmãos. Aos três anos perde o pai, produto de um acidente equestre. A mãe teve então de arcar com as despesas da família passando a lecionar piano em tempo integral.

Menino prodígio, aos três anos, graças à dedicação de sua mãe, já lia partituras e aos cinco ofereceu o primeiro recital. Mais tarde, após um recital diante do presidente Pedro Montt e do Congresso Nacional, foi-lhe concedida uma bolsa de estudos em Berlim no Conservatório Stern, junto ao destacado professor Krause, um dos últimos discípulos de Franz Liszt.

Durante esse período de aprendizado ganhou o Primeiro Prêmio do Concurso da Casa Rudolph Ibach e a Medalha Gustav Holländer. Em 1914 deu seu primeiro recital em Berlim e em seguida iniciou a uma extensa turnê pela Alemanha e Escandinávia. Em 1918 realizou uma turnê por toda a Europa. Nessa época, atuou sob a regência dos insignes maestros Nikisch, Muck, Mengelbeerg e Furtwängler.

Krause faleceu em 1918, fato que levou Arrau, aos 15 anos, à depressão. Tal era o respeito que lhe devia que deu por terminada sua formação musical, não tendo posteriormente nenhum outro professor. Soube recompor-se e continuou dando concertos, até que em 1920 recebeu o Prêmio Liszt por dois anos consecutivos.

 

Em 1925, foi contratado com o professor do Conservatório Stern. Em 1937, se casou com Ruth Schneider, meio soprano com quem teve três filhos.

Em 1941, mudou-se para os Estados Unidos devido ao assassinato de um aluno e pela perseguição em que se viu envolvida sua mulher, de origem judaica. Instalado em Nova York, fundou em 1943 a Academia Cláudio Arrau em sociedade com Rafael de Silva.

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Arrau e sua mãe, que lhe deu as primeiras lições de piano

Premiações e reconhecimento

Em 1980, a Orquestra Filarmônica de Berlim outorgou-lhe a medalha Hans von Bülow. Em 1983, foi condecorado com o Prêmio Nacional de Arte do Chile, fato que, segundo o próprio Arrau, era sua consagração definitiva.

Arrau granjeou especial reputação por suas interpretações de Bach, Brahms, Chopin, Debussy, Liszt, Mozart, Schumann, Schubert e, sobretudo, Beethoven, prestígio refletido em uma grande quantidade de gravações. Tinha uma técnica extraordinária e um virtuosismo único. Em certas ocasiões, seus tempos eram inusualmente lentos, porém sua consideração pelos detalhes aliada a uma rica sonoridade implicavam num excepcional poder intelectual e uma profundidade de sentimento. Arrau conseguia isto por um cuidadoso estudo da época em que haviam sido compostas as peças que interpretava. Sua vasta cultura geral foi uma de suas características mais destacadas.

Arrau manteve ao longo de sua trajetória esmero e beleza em suas apresentações. Tendo sido menino prodígio, desenvolveu uma técnica sólida desde a mais tenra idade, o que lhe permitiu mais tarde concentrar-se na interpretação e desenvolver uma maturidade nesse sentido. Os tempos e os “rubatos” de Arrau chamavam a atenção dos mais rigorosos críticos.

Sua extensa discografia inclui a gravação dos Estudos Transcendentais de Liszt, as obras mais importantes para piano de Schumann, as 32 sonatas para piano de Beethoven, assim como dezenas de outras obras com orquestra.

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