Hoje na História: 1972 - Setembro Negro sequestra atletas de Israel na Olimpíada de Munique

Cinco palestinos e 11 atletas israelenses morreram em evento que ficou conhecido como Massacre de Munique

Max Altman

Atualizado em 04/09/2017 às 15h44

Em 5 de setembro de 1972, de manhã cedo, seis membros do grupo terrorista Setembro Negro, vestidos com agasalhos esportivos olímpicos de países árabes, pularam a cerca da Vila Olímpica em Munique, Alemanha, carregando sacolas cheias de armas. Embora os guardas tenham notado, deram pouca importância a eles porque era comum atletas saltarem a cerca na volta de suas atividades.

Após mudarem para seus disfarces, os terroristas invadiram os apartamentos de 21 atletas e funcionários da delegação de Israel. Yossef Gutfreund, um árbitro de lutas que lutou para manter os terroristas do lado de fora, salvou Tuvia Sokolovsky, que teve tempo de pular pela janela e escapar. Num outro apartamento, Moshe Weinberg foi alvejado 12 vezes, mas ainda assim conseguiu ferir um dos terroristas, ajudando a salvar a vida de um de seus colegas de equipe.

WikiCommons

Foto tirada de um dos terroristas do grupo Setembro Negro

Criado em 1970 por um grupo de sobreviventes dos “dez terríveis dias de setembro” de luta contra o governo da Jordânia por uma pátria palestina, o Setembro Negro conseguiu manter sob sua mira nove reféns antes de exigir a libertação de 234 prisioneiros árabes de prisões israelenses. As exigências foram categoricamente rejeitadas, mas concordou-se que os reféns fossem levados ao aeroporto de Furstenfeldbruck de helicóptero e lá haveria um avião à disposição para a fuga.

O governo alemão planejou uma emboscada no aeroporto, localizando atiradores em volta da pista e policiais dentro do avião. Mas o plano saiu do controle quando os policiais de dentro do avião, preocupados com a falta de preparação, desertaram. Por outro lado, não havia atiradores de elite suficientes para abater todos os sequestradores, em parte porque os alemães não se deram conta de que dois outros homens haviam se juntado ao ataque do Setembro Negro.

Apesar de tudo, a operação prosseguiu. Três terroristas foram mortos na primeira leva de tiros, mas os outros puderam esconder-se e escapar da linha de tiro. Um deles atirou uma granada dentro do helicóptero onde cinco reféns se encontravam amarrados, matando-os instantaneamente. Um outro atirou no segundo helicóptero, matando os demais reféns.

Vinte horas depois de o Setembro Negro ter desencadeado seu ataque, um policial alemão, cinco palestinos e 11 atletas israelenses estavam mortos. Três dos terroristas sobreviventes foram capturados, mas foram libertados um mês depois quando um avião Boeing 727 da Lufthansa foi seqüestrado sendo exigida sua libertação.

Alguns dias depois da chacina dos Jogos Olímpicos de Munique, Israel retaliou com ataques aéreos contra a Síria e o Líbano, matando 66 pessoas e ferindo dezenas. Além disso, o governo de Israel, chefiado por Golda Meir, ordenou que esquadrões da morte caçassem e eliminassem cada um dos membros restantes do Setembro Negro (história contada no filme Munique, de Steven Spielberg). Ao mesmo tempo, tropas terrestres israelenses atravessaram a fronteira libanesa, dando início aos mais pesados ataques desde a Guerra dos Seis Dias de 1967.

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