Hoje na História - 1572: Tupac Amaru, o último herdeiro do Império Inca, é decapitado

Tupac foi o último líder indígena moderno do Império Inca no Peru; ele assumiu o título imperial depois que seu meio irmão, Titu Cusi morreu em 1570

Max Altman

Atualizada em 24 de setembro de 2016

Tupac Amaru, irmão de Titu Cusi, é capturado pelos espanhóis sob as ordens do vice-rei Francisco de Toledo e decapitado em público em 24 de setembro de 1572. Havia retomado a bandeira de seu irmão a fim de resistir à dominação colonial. Desse modo, o último herdeiro do Império Inca desaparecia.



Tupac Amaru foi o último líder indígena moderno do Império Inca no Peru. Túpac Amaru assumiu o título imperial depois que seu meio irmão, Titu Cusi morreu em 1570. Os incas achavam que os espanhóis haviam envenenado Titu quando enviavam dois embaixadores para negociar com os nativos. Foram ambos mortos na fronteira por um capitão inca.


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Ilustração mostra a captura de Tupac AmaruAlegando que os incas tinham “rompido a inviolável lei de todas as nações do mundo: respeito aos embaixadores” o novo vice-rei, Francisco de Toledo, decidiu atacar e conquistar Vilcabamba, declarando guerra em 14 de abril de 1572.

Em 1º de junho o primeiro encontro da guerra começou no vale de Vilcabamba. Os incas resistiram bem desde o primeiro momento apesar de estarem pouco armados.  Em 23 de junho o forte de Huayna Pucará rendeu-se frente à artilharia espanhola. O exército inca optou por abandonar sua última cidadela e se dirigir à selva para se reagrupar.

Em 24 de junho os espanhóis entraram em Vilcabamba e a encontraram deserta. A cidade foi inteiramente destruída. Túpac Amaru tinha se retirado no dia anterior com cerca de 100 soldados. O grupo, que incluía seus generais e membros de sua família, tinha se dividido numa tentativa de evitar a captura. Três grupos de soldados espanhóis perseguiram-nos. Um capturou a esposa e filho de Tuti Cusi. O segundo regressou com prisioneiros militares junto com ouro, prata e outras pedras preciosas. O terceiro regressou com os dois irmãos de Túpac Amaru, outros parentes e seus generais.

Tupac Amaru e seu comandante conseguiram escapar. Um grupo de 40 soldados saiu em perseguição. Seguiu o rio Masahuay ao longo de 250 quilômetros. Os espanhóis capturaram um grupo de índios chunco e os obrigaram a contar o que tinham visto e se Tupac Amaro foi avistado. Informaram que tinham seguido rio abaixo, num bote, para um lugar chamado Momorí.

Em Momorí descobriram que Túpac Amaru tinha escapado por terra. Os índios Mamarí informaram que Túpac estava atrasado na caminhada porque sua mulher estava a ponto de dar a luz. Após uma marcha de 80 quilômetros avistaram uma fogueira. Encontraram Sapa Inca Túpac Amaru e sua mulher se aquecendo. Túpac Amaru foi preso.

Tupac e alguns de seus seguidores foram trazidos de regresso às ruínas de Vilcabamba e juntos entraram em Cuzco em 21 de setembro. Fizeram várias tentativas de converter Túpac Amaru ao cristianismo. Em vão, pois o líder indígena estava convencido de sua fé. Os cinco generais incas capturados receberam um julgamento sumário e sentenciados à forca.

O julgamento de Tupac Amaru começou dois dias mais tarde. Foi condenado pelo assassinato dos sacerdotes em Vilcabamba e sentenciado à morte por decapitação. Numerosos clérigos, convencidos da inocência de Túpac Amaru, suplicaram de joelhos ao vice-rei que o Inca fosse enviado a Espanha para ser julgado em vez de ser executado.

Testemunhas da execução disseram que havia uma grande multidão e centenas de guardas com lanças. Em frente à catedral, na praça central de Cuzco, um patíbulo tinha sido erguido. Túpac Amaru subiu ao patíbulo acompanhado pelo bispo de Cusco.

Segundo Baltasar de Ocampo e frei Gabriel de Oviedo, chefe dos dominicanos em Cuzco, ambos testemunhas oculares, Tupac Amaru levantou sua mão para silenciar a multidão. Suas últimas palavras foram: “Ccollanan Pachacamac ricuy auccacunac yahuarniy hichascancuta.” Mãe Terra, sirva de testemunha de como meus inimigos derramam meu sangue”.

Para prevenir o ressurgimento do império e apagar todo rastro de sua descendência, a fonte de futuras gerações reais foi prontamente eliminada pelo vice-rei. Incontáveis pessoas, incluindo ao filho de 3 anos de Túpac Amaru, foram desterradas para o México, Chile, Panamá e para outros lugares distantes.

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