Hoje na História: 1720 - Nova peste negra dizima população de Marselha

Bactéria viajou para a França em meio à carga de um navio sírio

Max Altman

São Paulo (Brasil)

No dia 25 de maio de 1720, o navio Grand Saint-Antoine entra no porto de Marselha com um passageiro clandestino vindo da Síria – a bactéria de uma variante da peste negra. A bordo, dez pessoas já haviam sucumbido ao mal.

A Grande Peste de Marselha, de 1720, constitui um episódio histórico marcante, sempre presente na memória coletiva dos habitantes da cidade. O Grand Saint-Antoine carregava tecidos e fardos de algodão, contaminados com o bacilo de Yersin, responsável pela peste. Apesar de um dispositivo de proteção bastante rígido, a peste se propagou pela cidade.

Os proprietários da embarcação, discretamente prevenidos pelo capitão, lançam mão de suas relações com as autoridades locais para evitar uma quarentena brutal que impediria o desembarque da carga comercial.

A responsabilidade pela transgressão do regulamento foi atribuída à época ao capitão do navio, Jean-Baptiste Chataud. Na verdade, os médicos do porto assumem suas funções com certo desinteresse e decidem por em prática uma quarentena suave: os marinheiros seriam desembarcados e internados num dispensário.

No entanto, os homens, uma vez em terra, não concordaram em se ocupar de suas roupas sujas. Fizeram de tudo para que elas fossem confiadas às lavadeiras. A questão de saber se sofreram pressão das autoridades municipais permaneceu sem resposta.

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Tela representa a Grande Peste de Marselha, de 1720

Em 20 de junho, uma lavadeira morre depois de alguns dias de agonia sem que alguém atentasse às feridas que surgiram em seus lábios. Somente em 9 de julho, após alguns outros óbitos, é que dois médicos comparecem à cabeceira do leito de morte de um adolescente e diagnosticam a peste.

A alimentação da população bem como a evacuação dos cadáveres trouxeram à tona graves problemas. Pouco tardou para que a epidemia provocasse mais de mil mortos por dia na cidade. Os bairros pobres e os mais antigos foram os mais afetados. O bispo da cidade, monsenhor Belsunce, percorre as ruas sem se preocupar com a possibilidade de contágio. Assiste e socorre os doentes, trazendo conforto moral aos moribundos. O chefe de polícia, cavaleiro Roze, liberta os prisioneiros e, com o auxílio deles, incinera os cadáveres que apodreciam aos milhares nas ruas. Tarefa indispensável e perigosa que acabou se revelando heroica em meio ao trágico acontecimento.

Dos 200 prisioneiros condenados a trabalhos forçados, apenas 12 conseguiriam sobreviver após cinco dias. Em dois meses, Marselha iria perder metade de seus 100 mil habitantes. A peste negra iria matar, no conjunto da região, nada menos que 220 mil dos cerca de 400 mil moradores.

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