Ataques israelenses deixaram ao menos seis palestinos mortos na Faixa de Gaza neste sábado (03/10). Cinco das vítimas morreram em um bombardeio contra um prédio residencial na região oeste da Cidade de Gaza e outra em um ataque de drone em Beit Lahiya, no norte do enclave.
O ataque atingiu o edifício residencial Al-Asala durante a madrugada e matou um homem e quatro mulheres. O bombardeio destruiu parte do prédio e deixou ao menos seis feridos. Equipes de resgate trabalharam entre os escombros após o ataque.
O cardeal Pierbattista Pizzaballa, patriarca latino de Jerusalém, lamentou as mortes de duas mulheres cristãs entre as vítimas, Mary Hafez Abu Daoud e sua mãe, Maysa Abu Daoud, e manifestou pesar às famílias e à comunidade cristã de Gaza. Os funerais foram realizados na Igreja de São Porfírio.
O Hamas também condenou o ataque ao edifício Al-Asala e afirmou, em comunicado, que o bombardeio demonstra a “insistência de Israel em continuar a guerra de genocídio” na Faixa de Gaza. O grupo acusou o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, de tentar “usar o acordo de cessar-fogo como cobertura para continuar a guerra de genocídio e os massacres” e pediu aos mediadores e aos Estados Unidos que adotem “posições sérias” para conter Israel.
Horas depois, um palestino morreu e outros ficaram feridos em um ataque de drone israelense nas proximidades da rotatória Abbas al-Kilani, em Beit Lahiya, segundo a agência palestina Wafa. Em outro episódio na mesma região, forças israelenses balearam um palestino nas proximidades da rotatória oeste.
Também neste sábado, foi confirmada a morte de Muhammad Talaat Aqel, do campo de refugiados de Jabalia. Segundo a Wafa, ele estava internado no Hospital Al-Aqsa após ser baleado na cabeça dias antes, na região de Umm Dhahir, em Deir el-Balah, no centro da Faixa de Gaza.

Em paralelo, a Organização Mundial da Saúde (OMS) denunciou nesta sexta-feira (02/10) os obstáculos impostos por Israel à entrada de suprimentos médicos no território.
Segundo a representante da OMS no Território Palestino Ocupado, Reinhilde Van de Weerdt, em entrevista coletiva da ONU em Genebra, da qual participou remotamente de Jerusalém, Gaza vive uma “escassez crônica” de medicamentos e suprimentos médicos. Ela destacou que nenhum hospital do território funciona plenamente.
A OMS aponta o sistema israelense de autorização como um dos principais gargalos para a entrada dos suprimentos: grandes volumes de materiais médicos aguardam uma média de 74 dias pela liberação.
Quando a autorização não é concedida, afirmou Van de Weerdt, todo o procedimento precisa ser reiniciado. Além disso, as regras para aprovação das cargas mudam constantemente. A OMS pede a abertura de mais passagens para Gaza e a adoção de regras claras e públicas para a entrada de ajuda humanitária.
Segundo o Ministério da Saúde de Gaza, desde o cessar-fogo de 11 de outubro de 2025, 1.445 palestinos foram mortos e 5.072 ficaram feridos, segundo o ministério. Outros 835 corpos foram recuperados dos escombros nesse período. Já o número de palestinos mortos desde o início da ofensiva israelense, em outubro de 2023, chegou a 74.228, enquanto 175.188 ficaram feridos.