Quarta-feira, 13 de maio de 2026
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Conhecido como o espião dos Estados Unidos condenado por vender informações a Israel, Jonathan Pollard anunciou esta semana que pretende se candidatar a uma vaga no Knesset (Parlamento israelense), nas eleições que estão programadas para o próximo mês de outubro.

A informação veio à tona durante uma entrevista ao Canal 13 de Israel, na qual Pollard apresentou seu discurso alinhado com a ideologia sionista.

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No programa, o ex-espião defendeu a anexação dos territórios da Cisjordânia e da Faixa de Gaza, e que a população palestina de Gaza seja “removida” – termo que usou para sugerir a limpeza étnica da região.

“Pessoalmente, prefiro a remoção forçada de todos os atuais residentes de Gaza, a anexação de Gaza e seu repovoamento por judeus”, afirmou Pollard, durante o programa exibido nesta segunda-feira (04/05).

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Quem é Jonathan Pollard

Nascido em família judia, Jonathan Pollard não é israelense. Ele nasceu no Texas e trabalhou durante seis anos como analista de inteligência da Marinha dos Estados Unidos, entre setembro de 1979 e novembro de 1985, até o dia em que foi preso, acusado de vender informações secretas do governo dos Estados Unidos a Israel.

Durante o processo que levou à sua condenação, o Departamento Federal de Investigação dos Estados Unidos (FBI, por sua sigla em inglês) apresentou provas de que Pollard integrava um esquema de envio de informação confidencial a Tel Aviv desde junho de 1984.

Na sentença, o Tribunal Federa do Distrito de Columbia impôs a ele pena de prisão perpétua. O ex-espião ficou preso até novembro de 2015, quando foi concedido o benefício da liberdade condicional de forma automática, após ter cumprido 30 anos em regime fechado.

Em novembro de 2020, Pollard se mudou para Israel, graças a uma articulação promovida pelo premiê israelense Benjamin Netanyahu junto ao presidente norte-americano Donald Trump – então em seu primeiro mandato –, que permitiu sua extradição.

Apesar do apoio de Netanyahu à sua mudança para Israel, o ex-espião se mostrou na entrevista como um crítico da atual administração, e informou que sua candidatura ao Knesset será por um partido novo, também de inclinação sionista religiosa e discurso de extrema direita.

Netanyahu recepcionou Pollard no Aeroporto de Tel Aviv após sua extradição, em 2020
Governo de Israel

Esse novo partido está sendo organizado pelo ativista Nissim Louk, pai da tatuadora e influenciadora Shani Louk, que morreu durante o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023 contra o Festival Nova Music, uma rave realizada nas proximidades do muro no que isola a Faixa de Gaza.

Na entrevista ao Canal 13 israelense, Pollard afirmou que sua decisão de entrar para a política surgiu justamente após os acontecimentos de outubro de 2023, e culpou o governo de Netanyahu por, segundo sua avaliação, ter agido de forma negligente ou insuficiente diante do caso.

“Até então, eu pensava que o abandono e a traição que sofri por parte do governo (de Israel) quando estava preso era a exceção e não a regra. Porém, depois de 7 de outubro (de 2023), percebi que eu não era uma exceção”, argumentou.