Terça-feira, 6 de outubro de 2026
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Um prédio danificado por ataques israelenses durante a guerra desabou na madrugada desta quarta-feira (16/09) na Cidade de Gaza. Ao menos 20 palestinos morreram, segundo o balanço mais recente do Ministério da Saúde de Gaza, que alerta: os números devem aumentar. Entras vítimas fatais, pelo menos, 13 são mulheres e crianças. Outras 25 pessoas ficaram feridas e dezenas encontram-se desaparecidas.

Cerca de 100 palestinos dormiam no prédio quando ele desabou, atingindo, inclusive, tendas instaladas nas proximidades. O diretor-geral do Ministério da Saúde, Mounir al-Bursh, afirmou que as famílias já registraram mais de 75 desaparecidos, entre eles, 50 crianças.

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As equipes da Defesa Civil trabalham desde a madrugada para retirar sobreviventes e corpos, mas enfrentam a falta de máquinas e equipamentos pesados. Equipes do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e do Ministério da Saúde também participam da operação.

“Ainda é possível ouvir vozes pedindo socorro sob os escombros. As equipes de resgate estão trabalhando com recursos extremamente limitados; não temos todas as máquinas e equipamentos pesados necessários para levantar blocos de concreto e alcançar as pessoas presas”, afirmou Al-Bursh à Al Jazeera.

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“Estamos numa corrida brutal contra o tempo, e cada minuto significa mais uma vida perdida”, acrescentou.

Apelo à comunidade internacional

Em comunicado, o Gabinete de Imprensa do Governo de Gaza afirma que a queda do edifício “exacerba a catástrofe humanitária” na Faixa de Gaza. “Consideramos a ocupação e a comunidade internacional totalmente responsáveis”, diz o texto.

O texto apela “a todos os países do mundo e às organizações internacionais e da ONU para que intervenham imediatamente a fim de levantar o cerco injusto à Faixa de Gaza”. E cobra a abertura de “todas as passagens” para “permitir a entrada imediata de equipamentos e suprimentos de resgate e defesa civil, além de atender a todas as necessidades humanitárias e de socorro urgentes e essenciais da Faixa de Gaza”.

Desabamento de prédio danificado por ataques israelenses deixa ao menos 19 mortos em Gaza
Jaber Jehad Badwan/ Wikimedia Commons

Tayseer Mheisen, assessor do Gabinete de Imprensa do Governo de Gaza, também conversou com a agência catariana. Ele informou que, em geral, o tempo para encontrar sobreviventes é de cerca de três dias, mas, diante da falta de equipamentos, a Defesa Civil calcula que os esforços poderão levar “dias, até mesmo semanas”.

“Isso significa que perderemos dezenas de vidas”, afirmou. “Israel obstrui sistematicamente qualquer intervenção da ONU ou internacional para levar os equipamentos mais importantes que poderiam salvar vidas de vítimas sob os escombros”, afirmou. “A verdade é que a humanidade não deu sequer um passo em direção à única ação necessária: pressionar Israel a abrir as passagens”, acrescentou.

Segundo o comunicado, em toda a Faixa de Gaza, cerca de 8.500 pessoas continuam desaparecidas sob os escombros de edifícios que desabaram, enquanto milhares seguem vivendo em estruturas fragilizadas, afirmam as autoridades.

Mais de 2 mil edifícios danificados e 400 sob risco de desabamento

O edifício, que abrigava palestinos deslocados pela guerra, havia sido seriamente danificado por bombardeios israelenses e apresentava problemas estruturais. As autoridades palestinas estimam que cerca de 2 mil prédios danificados continuam habitados por dezenas de milhares de pessoas diante da falta de alternativas de moradia.

Segundo o PNUD, cerca de 400 construções estão sob risco de desabamento, situação que tende a se agravar com a chegada das chuvas no inverno. Alessandro Mrakic, diretor do PNUD em Gaza, descreveu a operação como “uma corrida contra o tempo”.

“Há muitas vozes vindas de debaixo dos escombros, então estamos numa corrida contra o tempo e fazendo o que podemos. O equipamento disponível é insuficiente”, afirmou. “Todos os contratados que trabalham conosco hoje estão sofrendo com a escassez de combustível e a falta de peças de reposição”, frisou.

Ele também chamou atenção para a falta de opções de moradia no território. “Considerando as restrições de espaço – onde vivem cerca de dois milhões de pessoas – as pessoas estão retornando a esses prédios, independentemente da… falta de normas de segurança”, alertou.

 

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