Terça-feira, 3 de março de 2026
APOIE
Menu

O ex-primeiro-ministro Ehud Barak disse ao criminoso sexual Jeffrey Epstein que Israel poderia “facilmente absorver mais um milhão” de imigrantes de países de língua russa, de acordo com uma gravação sem data de uma conversa, divulgada como parte da mais recente leva de documentos dos arquivos de Epstein.

“Eu sempre dizia a Putin que o que precisávamos era de mais um milhão para mudar Israel de uma forma drástica – um milhão de russos”, ouve-se Barak dizer nas gravações divulgadas pelo Departamento de Justiça dos EUA.

Tudo que a grande mídia não mostra, do seu jeito.

Ícone Newsletter

Newsletter

Notícias internacionais, com análise crítica e independente. Sem filtros.
Ícone WhatsApp

Canal do WhatsApp

O mundo em movimento direto no seu celular. Informação pronta para compartilhar
Ícone YouTube

OM no YouTube

Opinião, contexto e coragem jornalística. Tudo no nosso canal. Sintonize em Opera Mundi

O áudio também mostra que o ex-premiê afirmou que Israel poderia “controlar a qualidade” dos recém-chegados de forma mais eficaz do que nas décadas passadas e argumentou que a necessidade pode gerar “flexibilidade”.

“Eles aceitavam qualquer coisa que aparecesse só para salvar pessoas. Agora podemos ser seletivos e acho que [temos] uma mentalidade muito mais aberta em relação à aceitação dos judeus. Podemos facilmente absorver mais um milhão”, acrescenta.

Mais lidas

Após a divulgação da conversa, o ex-rabino-chefe Pinchas Goldschmidt escreveu no X: “Fico feliz que, quando eu era rabino-chefe de Moscou, tenhamos impedido essa iniciativa maluca”.

Relação entre Epstein e Putin

De acordo com os arquivos divulgados pelo Departamento de Justiça dos EUA (DOJ), Jeffrey Epstein tinha uma mensagem que queria enviar ao presidente russo Vladimir Putin e também manifestava o desejo de conhecê-lo. Os documentos não indicam se Epstein chegou a conseguir estabelecer contato com o líder russo.

Em 24 de junho de 2018, Epstein enviou um e-mail ao político norueguês Thorbjørn Jagland, então secretário-geral do Conselho da Europa: “Acho que você poderia sugerir a Putin que Lavrov pode obter informações sobre como conversar comigo. Vitaly Churkin costumava fazer isso, mas ele morreu”.

Vitaly Churkin era embaixador da Rússia nas Nações Unidas, com quem Epstein mantinha encontros frequentes em Nova York, segundo os documentos.

Em 9 de maio de 2013, Epstein escreveu ao então primeiro-ministro israelense Ehud Barak informando que Jagland “iria se encontrar com Putin em Sochi” no dia 20 de maio. Segundo Epstein, Jagland perguntou se ele estaria disponível para se encontrar com o presidente russo “para explicar como a Rússia pode estruturar acordos a fim de incentivar o investimento ocidental”.

“Nunca o conheci, queria que você soubesse”, acrescentou Epstein em seu e-mail para Barak.

Alguns dias depois, em 14 de maio de 2013, Jagland disse a Epstein que planejava transmitir uma mensagem a Putin em nome de Epstein, sugerindo que ele poderia ser útil. “Tenho um amigo que pode ajudá-lo a tomar as medidas necessárias (e depois apresentá-lo) e perguntar [se] seria interessante para ele se encontrar com você”, escreveu Jagland.

Epstein respondeu: “Ele está numa posição única para fazer algo grandioso, como o Sputnik fez pela corrida espacial […] Você pode dizer a ele que somos próximos e que eu aconselho Gates. Isso é confidencial. Eu ficaria feliz em encontrá-lo, mas por no mínimo duas ou três horas, não menos”.

Na quinta-feira, a unidade de investigação norueguesa Økokrim anunciou a abertura de uma investigação contra Jagland com base nas informações reveladas pelos documentos de Epstein, indicando possíveis irregularidades na conduta do ex-secretário-geral do Conselho da Europa.

Os documentos também sugerem que Epstein mantinha uma relação próxima com Sergey Belyakov, um russo com ligações ao FSB – o principal serviço de segurança da Rússia e sucessor da KGB. (Segundo a agência TASS, Belyakov se formou na Academia do FSB em Moscou em 1999.) Em um e-mail de 2015 ao bilionário Peter Thiel, Epstein referiu-se a Belyakov como “meu grande amigo”.

Registros de voo confirmam que Epstein e Ghislaine Maxwell visitaram a Rússia em novembro de 2002. Viajaram de Copenhague a Moscou, seguiram para São Petersburgo e, dois dias depois, partiram para a Irlanda. Em 2018, Epstein solicitou novamente um visto russo; em março de 2019, sua equipe tentou transferir o visto válido para um novo passaporte, poucos meses antes de sua prisão sob acusações federais relacionadas ao tráfico sexual de menores.