Sexta-feira, 14 de agosto de 2026
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A marca de roupas e acessórios de esporte Reebok é a principal patrocinadora da Associação Israelense de Futebol (IFA), que inclui seis clubes de futebol localizados em assentamentos ilegais israelenses em território palestino ocupado. A informação é do Movimento Boicote, Desinvestimento e Sanções (BDS), que realiza campanha global de pressão econômica, cultural e acadêmica contra o Estado de Israel.

Por conta de um contrato de dois anos com a federação israelense, o BDS lançou a campanha #BoicoteReebok, para que a empresa cesse sua cumplicidade com a ocupação ilegal.

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“Dentro de um sistema de economia integrada, capitalismo, cadeia de produção, etc., muitas empresas são mais ou menos cúmplices em relação a diversas situações ilegais que ocorrem nos territórios palestinos ocupados. Mas algumas empresas têm um nível de cumplicidade maior e são essas que o BDS busca boicotar ou alvo de campanhas”, afirmou Andressa Oliveira Soares, coordenadora do grupo no Brasil a Opera Mundi.

Segundo a coordenadora, cada campanha tem uma estratégia e um pedido específico. Soares disse que as ações oficiais do BDS, que são lançadas pelo Comitê Nacional Palestino, “são extremamente cuidadosas e estudadas em relação à possibilidade de impacto e nível de cumplicidade”.

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A IFA recusou-se a tomar medidas contrárias aos times em território ocupado, apesar de ter sido repetidamente condenada por conselheiros da ONU, autoridades, figuras públicas e grupos de direitos humanos. “Nesse caso, a Federação se torna uma instituição cúmplice dos crimes de direito internacional, assim como se torna uma instituição de soft power muito importante, ao dar uma força imensa de representatividade do Estado israelense”, afirmou Soares.

O BDS também possui campanhas contra a IFA, como, por exemplo, para que seja expulsa de instituições como a FIFA e a UEFA.

 

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“Primeiro fazemos uma campanha direcionada à marca, dizendo para ela não patrocinar. Mas, neste caso, a Reebok não demonstrou muita importância com essas questões de investimento ético, com a cumplicidade nos crimes internacionais. Então, a partir de situações como essa, passamos a convocar ao boicote da marca”.

No início de 2025, a Reebok assinou um contrato de dois anos com a IFA após a empresa italiana de artigos esportivos Erreà desistir de um contrato semelhante por conta de apelos de boicote. A Erreà substituiria a PUMA, que não renovou seu contrato com a federação israelense também em reposta uma campanha global de boicote de cinco anos. Em julho de 2018, foi anunciado que Adidas também não patrocinaria mais a organização futebolística de Israel quando uma ação internacional liderada por equipes esportivas palestinas pressionou a marca, que recebeu mais de 16.000 assinaturas em sua sede.

“A avaliação dos impactos não é realizada de forma isolada — não se separa, por exemplo, impactos econômicos de impactos culturais, porque, na prática, uma coisa se sobrepõe à outra”, disse Soares.

21 anos do movimento Boicote, Desinvestimento e Sanções

O movimento de Boicote, Desinvestimento e Sanções (BDS) celebrou, em julho de 2026, 21 anos desde a sua criação. “O objetivo concreto é a liberdade, a autodeterminação do povo palestino. É um movimento que busca responder a essas questões através de grupos solidários em estratégias, com base nesses três pilares”.

O grupo possui uma estratégia criteriosa e seletiva para que os alvos das campanhas sejam escolhidos a partir de uma análise que leva em conta o nível de cumplicidade da empresa com as violações de direitos humanos cometidas por Israel, a possibilidade de vitória da campanha e a capacidade de mobilização popular em torno do boicote.

“Empresas com relação direta com o cliente, por exemplo, são alvos mais adequados para campanhas de consumo, enquanto aquelas que atuam em setores de monopólio ou que não têm uma relação direta com o consumidor final exigem estratégias diferenciadas”, afirmou a coordenadora.

Esses boicotes estratégicos vão além da recusa individual de comprar determinados produtos. Eles englobam a pressão sobre estados, municípios e instituições para que adotem políticas de compras éticas, deixando de licitar ou contratar empresas envolvidas em crimes internacionais. Além disso, as campanhas incluem pressão direta sobre as marcas para que se posicionem publicamente sobre sua cumplicidade, o que gera um impacto na imagem corporativa e, consequentemente, um impacto econômico.

“A estratégia do desinvestimento, representada pela letra ‘D’ do BDS, é frequentemente negligenciada nas discussões mais amplas sobre o movimento, que costumam se concentrar apenas no boicote de consumo”, segundo Soares. No entanto, o desinvestimento é uma ferramenta central: trata-se de retirar investimentos diretos de marcas e empresas por meio de políticas de compras éticas, fundos de pensão e fundos estaduais. “Essa dimensão tem um impacto econômico direto e significativo, pois atinge as empresas no fluxo de capital, não apenas no consumo”.

Por fim, o “S” do BDS refere-se às sanções — não as sanções unilaterais, como as aplicadas pelos Estados Unidos a Cuba, mas sanções legítimas e amparadas pelo direito internacional. Trata-se de uma obrigação dos Estados aplicarem sanções a outro Estado que comete violações do direito internacional, como é o caso de Israel. Essa estratégia inclui pressão política direta sobre instituições internacionais, organizações multilaterais e câmaras legislativas para que adotem tais sanções.

“O movimento BDS, portanto, é extremamente estratégico e criterioso. Todas as empresas que se tornam alvo de suas campanhas têm sua cumplicidade comprovada, e as ações são planejadas para maximizar o impacto político, econômico e midiático, articulando diferentes frentes — do consumidor ao legislativo, passando por investidores e instituições públicas”, afirmou Soares.