Sexta-feira, 14 de agosto de 2026
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As forças israelenses ampliaram suas operações militares na Cisjordânia ocupada nesta quarta-feira (05/08), realizando um novo ataque ao campo de refugiados de Qalandiya em meio a crescentes restrições e violência por parte das Forças de Defesa de Israel (IDF) que atuam na região ao lado dos colonos.

O Exército também distribuiu panfletos no campo de refugiados, declarando que “as forças de segurança israelenses lançaram uma operação em larga escala contra terroristas”, em meio a batidas e buscas em vários bairros da região.

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Fontes locais relataram que tropas israelenses dispararam gás lacrimogêneo e granadas de efeito moral contra jornalistas, enquanto se posicionavam na rua principal do campo, numa aparente tentativa de obstruir a cobertura da mídia.

Com a intensificação das incursões militares na Cisjordânia ocupada, durante o mês de julho as forças israelenses prenderam ao menos 630 palestinos, informou um grupo de defesa dos direitos dos prisioneiros nesta terça-feira (04/08).

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Mulheres, crianças e ex-prisioneiros estavam entre os detidos nas operações israelenses, afirmou a Sociedade Palestina de Prisioneiros em um comunicado. O grupo acrescentou que a última onda de prisões elevou para mais de 25.000 o número de palestinos detidos desde a guerra em Gaza, em outubro de 2023.

Israel intensifica repressão na Cisjordânia e prende 630 palestinos em um mês
Foto: idfonline / X

Plano de Ben-Gvir de colocar crocodilos nos fossos da prisão

O Tribunal Distrital de Jerusalém suspendeu temporariamente um plano liderado pelo ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir, para construir fossos cheios de crocodilos ao redor de prisões que abrigam milhares de detentos palestinos.

Segundo a emissora pública israelense KAN, a decisão judicial surge na sequência de uma petição apresentada pela organização de direitos dos animais “Deixem os Animais Viverem” contra a ministra da Proteção Ambiental, Idit Silman, Ben-Gvir e o Serviço Penitenciário Israelense (IPS). O grupo argumentou que o projeto levaria a maus-tratos aos crocodilos e colocaria os funcionários da prisão em perigo.

Nem a petição apresentada pela organização de direitos dos animais, nem o texto da decisão do juiz Avraham Rubin fizeram referência às condições de risco de vida enfrentadas pelos prisioneiros palestinos submetidos a tortura e agressão sexual em instalações sob a autoridade de Ben-Gvir.

O ministro israelense de extrema direita propôs colocar crocodilos nos canais de água que circundam as prisões, sob o pretexto de impedir a fuga de detentos palestinos. Ben-Gvir afirmou que, ao formular seu plano, inspirou-se em um centro de detenção de imigrantes no estado norte-americano da Flórida, conhecido como “Alcatraz dos Jacarés”.

Outras autoridades israelenses de extrema direita também defenderam a proposta, argumentando que os crocodilos reforçariam as medidas de segurança e reduziriam os custos operacionais da prisão, diminuindo a necessidade de pessoal de patrulhamento. O projeto estava previsto para ser implementado na Prisão de Ketziot, no Deserto do Negev, onde as autoridades já haviam iniciado os trabalhos de escavação em um trecho do fosso.

Desde que assumiu o cargo em dezembro de 2022, como parte da coligação do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, Ben-Gvir aprovou medidas que endureceram significativamente as condições de detenção dos prisioneiros palestinos. Ben-Gvir também visitou prisões e manteve condutas humilhantes em relação aos detidos.

A organização israelense de direitos humanos B’Tselem documentou que guardas prisionais, soldados e agentes do Shin Bet submeteram detentos palestinos a estupro, inserção forçada de objetos no ânus, espancamentos nos genitais, inanição, choques elétricos e negação de tratamento médico.