Terça-feira, 3 de março de 2026
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As Forças de Defesa de Israel [IDF, na sigla em inglês, como é chamado o exército do país] ordenaram que seus soldados impeçam palestinos de arar terras nas colinas do sul de Hebron, na Cisjordânia ocupada, revelou o jornal Haaretz.

Segundo apuração do jornal israelense, os soldados das IDF “foram mobilizados para bloquear a atividade agrícola palestina a pedido de colonos israelenses” na região conhecida como Masafer Yatta e também no Vale do Jordão, na Cisjordânia Norte e na região de Ramallah.

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Na prática para bloquear a atividade agrícola palestina, os oficiais emitem “ordens específicas de zona militar fechada” e “medidas de dispersão de multidões” para afastar agricultores ou até mesmo detê-los durante horas. As ações ficaram conhecidas como “interrupção da aragem”.

O Haaretz explica que ao impedir que palestinos arem suas terras, principalmente no início do inverno, Israel interfere diretamente nas colheitas que seriam feitas na primavera. “Além do prejuízo imediato à produção agrícola, a proibição prolongada de acesso e cultivo pode, em última instância, levar à perda da propriedade palestina da terra”, afirma o jornal.

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Além de interferir na produção de alimentos dos palestinos, Israel tem outro objetivo ao impedir que os agricultores cultivem a terra: campos que não foram arados podem ser considerados abandonados, facilitando que o governo israelense classifique a terra como estatal e tome controle sobre ela.

Consultado pelo Haaretz, Dror Etkes, representante organização de direitos humanos Kerem Navot, explicou que desde a década de 1980, Israel já declarou mais de 800 mil dunams (medida de terra que é possível arar por dia, equivalente a 800 km²) desta maneira.

Além de impedir que palestinos arem terras, exército israelense também ataca indiscriminadamente agricultores que cultivam
Anthony Baratier/Wikicommons

“Muitas dessas áreas eram cultivadas anteriormente, mas, por diversos motivos, o cultivo cessou. Isso significa que Israel e os colonos têm interesse em impedir que os palestinos cultivem terras na Cisjordânia, na esperança de que elas possam ser declaradas terras estatais no futuro”, explicou Etkes ao jornal israelense.

Na análise do especialista, essa situação incentiva a violência dos colonos israelenses na região, que se sentem validado por acreditar que as terras podem ser declaradas como estatais no futuro.

Segundo dados da organização Kerem Navot, mais de 100 mil dunams (100 km²) na Cisjordânia foram impedidos de serem cultivados pelas IDF nos últimos três anos.

A situação se agrava ainda mais diante da falta de registros formais das terras palestinas, uma vez que eles foram congelados em 1967 — ano em que ocorreu a Guerra dos Seis Dias e centenas de milhares de palestinos foram expulsos do enclave. Assim, apenas 30% das terras são oficialmente registradas.

Ao Haaretz, um proprietário de terras palestino relatou que, apesar de ter os documentos que comprovam sua propriedade, o “exército chegou e nos impediu de arar”. “Os soldados nos disseram que sabiam que a terra era nossa, mas que estávamos proibidos de ará-la. Perguntamos ‘Por quê?’ e eles não souberam explicar, mas declararam o local zona militar fechada até a manhã seguinte”, relatou, afirmando que ocorreram sucessivas ações para impedir a aragem.

Além da atuação das IDF para impedir que palestinos arem as terras, o exército israelense também ataca indiscriminadamente agricultores que estão cultivando plantações, como ocorreu na aldeia de Arab al-Rashayida, a sudeste de Belém, em novembro passado. A violência israelense fez vários feridos, que foram levados ao hospital. Nenhum dos soldados envolvidos foi punido.