Francesca Albanese pede ‘mais pressão’ da Europa pela liberdade de ativistas detidos em Israel
Relatora da ONU questiona como Thiago Ávila e Abu Keshek foram sequestrados por um 'Estado torturador' ao condenar colaboração da polícia grega com ação israelense
A relatora das Nações Unidas para os territórios palestinos ocupados, Francesca Albanese, repudiou o sequestro ilegal do ativista brasileiro Thiago Ávila e do palestino-espanhol Abu Keshek em águas internacionais próximas à Grécia pelo Exército de Israel. Ambos integravam a Flotilha Global Sumud, a missão humanitária que navegava para Faixa de Gaza com intuito de quebrar o carco israelense.
“Se esse Estado de apartheid pode entrar em nossas águas e sequestrar pessoas com a colaboração de autoridades europeias, estamos falando do governo grego e da guarda costeira grega, como isso é possível? Os ativistas foram levados para um Estado conhecido por torturar. Precisamos agir. Protestar já não é suficiente”, afirmou.
Albanese participou do evento em Madri para apresentar seu livro mais recente, Quando o mundo dorme – histórias, palavras e feridas da Palestina, lançado recentemente também no Brasil.
Na obra, a autora reúne relatos e experiências que ao longo dos anos, segundo ela, ajudaram a compreender a realidade vivida pelos palestinos.
Em um auditório abarrotado no centro da capital espanhola, a jurista italiana pediu a libertação imediata dos dois membros da Flotilha e defendeu uma resposta mais firme dos europeus.
“Toda a pressão necessária deve vir da Europa. Ou as normas básicas do Estado de Direito são respeitadas ou caminhamos para uma barbárie”.
A relatora também avaliou como positiva a tentativa das embarcações humanitárias de romper o cerco imposto por Israel à Faixa de Gaza, mas disse que a estratégia atual acaba favorecendo Tel Aviv, pois o Estado mantém as embarcações apreendidas. “Insisto, o movimento deveria pressionar os Estados europeus para que enviem seus barcos navais para romper o bloqueio a Gaza”.

Francesca Albanese criticou postura da Europa diante do sequestro de ativistas pró-Palestina
Comércio com Israel
Durante o evento, a jurista especializada em direito internacional e direitos humanos criticou os países que fazem negócios com Israel, afirmando que tais negociações “são erradas e podem gerar responsabilidade para quem as autoriza”.
Por outro lado, a italiana elogiou a postura do primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, por condenar desde o início o genocídio cometido por Israel em Gaza.
Ao comentar sobre a crise humanitária no território palestino, Albanese afirmou que a situação segue crítica e alertou para o agravamento da fome.
“A ajuda humanitária e as necessidades dos palestinos são reais e não podem ser respondidas apenas com gestos simbólicos. Eles precisam de comida. Não há ajuda humanitária suficiente entrando em Gaza. A desnutrição continua e agora eles sofrem até mesmo com uma infestação de roedores”, lamentou.























