Genro de Trump se reúne com líderes do Hamas e promete impedir deslocamento em Gaza, diz mídia
Jared Kushner realiza encontros de alto nível no Egito e Israel, em meio a impasse no plano de paz; segundo Al Jazeera, grupo palestino buscou denunciar violações israelenses
Os líderes do Hamas se reuniram neste domingo (16/08) com o enviado dos Estados Unidos para o Oriente Médio, Jared Kushner, também genro do presidente Donald Trump, na cidade costeira egípcia de El-Alamein, em meio aos esforços de Washington na implementação de um plano de paz para a Faixa de Gaza rejeitado por Israel.
De acordo com a emissora Al Jazeera, o líder político movimento de resistência palestino, Khalil al-Hayya, participou das negociações. Também estiveram presentes o chefe da inteligência egípcia Hassan Rashad, o diplomata catari Ali Al Thawadi e um alto funcionário turco, conforme o portal Axios. Além disso, o enviado do Conselho de Paz, Nickolay Mladenov, e o ex-primeiro-ministro do Reino Unido Tony Blair, também membro do conselho, juntaram-se a Kushner na reunião.
Segundo uma fonte palestina ouvida pela Al Jazeera, a liderança do Hamas teria mencionado as recorrentes violações do cessar-fogo de Israel em Gaza. Além disso, o genro de Trump teria rejeitado “qualquer plano de deslocar os moradores de Gaza”. Já conforme um outro funcionário familiarizado com as tratativas, al-Hayya e Kushner teriam se reunido “com o objetivo de traduzir as obrigações do roteiro em passos concretos e verificáveis”.
“Essas são ações que mantêm o cessar-fogo; começar a transferir todas as responsabilidades governamentais para o Comitê Nacional de Administração de Gaza; garantir que o Hamas não tenha papel na futura administração de Gaza”, disse a fonte. “Não pode haver ambiguidade: o Hamas deve abrir mão da autoridade governante e de todas as armas e infraestrutura militar. E Gaza nunca mais poderá ser uma fonte de terror para Israel”.
A viagem de Kushner ao Oriente Médio, que também inclui uma agenda em Israel nesta segunda-feira (17/08), é um esforço para reduzir as diferenças sobre o mais recente plano de paz criado pelo presidente norte-americano para Gaza. O roteiro foi rejeitado pelo primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu que, na semana passada, disse ser “inaceitável” para o regime sionista, reiterando que suas tropas não deixarão Gaza até o desarmamento completo do Hamas..
Em um acordo emitido no domingo, o Hamas enfatizou que aceita o roteiro atual que abre caminho para a segunda fase do plano de Trump.
“O Hamas e a resistência aderiram plenamente à primeira fase do acordo de cessar-fogo”, afirmou. No entanto, disse que Israel “não implementou essa fase, escalando suas operações militares no terreno e aprofundando a catástrofe humanitária, e rejeitou explicitamente o roteiro”,
O movimento palestino ainda afirmou “que convocou as partes mediadoras e o Conselho de Paz a cumprirem suas responsabilidades e obrigarem a ocupação [israelense] a cumprir todas as suas obrigações na primeira fase, acabar com todas as violações, suspender os assassinatos e incursões, concordar com o roteiro para a segunda fase do plano do presidente Trump e começar a desenvolver um cronograma para sua implementação”.
De acordo com a agência Reuters, o líder palestino al-Hayya também se reuniu separadamente com o chefe dos serviços de inteligência egípcios, Hassan Rashad.
Por sua vez, Kushner se reuniu com o presidente egípcio Abdel Fattah el-Sisi após o encontro com o Hamas. De acordo com o gabinete presidencial do Egito, ambos discutiram as relações bilaterais, além da questão de Gaza. El-Sisi destacou a parceria estratégica entre egípcios e norte-americanos, assegurando cooperação contínua.

Jared Kushner se encontra com o presidente egípcio Abdel-Fattah al-Sissi em El-Alamein, no Egito
Presidência do Egito
Continuidade das violações israelenses
No domingo, os ministros das Relações Exteriores de oito países, incluindo Egito, Emirados Árabes Unidos, Catar, Jordânia, Indonésia, Paquistão, Turquia e Arábia Saudita, condenaram a rejeição israelense ao plano de paz para Gaza, classificando a posição do regime sionista como um “ataque direto” aos esforços liderados por Washington e à criação do Estado palestino.
De acordo com as nações, Israel assume total responsabilidade por atrapalhar o plano. Ainda pedem que os Estados Unidos intervenham Tel Aviv para que cumpra as cláusulas do roteiro, ao considerar a solução de dois Estados como única alternativa para trazer estabilidade duradoura na região.
Nos últimos dias, o Exército sionista retomou seus ataques aéreos a Gaza, violando o acordo de cessar-fogo anunciado em outubro de 2025. De acordo com as autoridades sanitárias do envlace palestino, pelo menos cinco palestinos ficaram feridos no domingo en um bombardeio a acampanmento em Khan Younis, no sul. Já um outro ataque aéreo atingiu um apartamento no campo de refugiados de Nuseirat, no centro, ferindo várias pessoas.
De acordo com o Ministério da Saúde de Gaza, o número de mortos desde que Israel iniciou seu genocídio televisionado no território palestino, em outubro de 2023, já ultrapassa 73 mil.























