O presidente palestino, Mahmoud Abbas, iniciou seu discurso nesta quinta-feira (24/09) na 81ª Assembleia Geral da ONU e denunciou a decisão dos Estados Unidos de negar vistos a funcionários da Autoridade Palestina pelo segundo ano consecutivo, às vésperas da reunião anual de alto nível em Nova York.
“Rejeitamos essas medidas punitivas ilegais, bem como as acusações e justificativas em que se basearam”, afirmou em uma declaração pré-gravada, acrescentando que “negar à delegação palestina o acesso à sede da ONU é uma violação das obrigações dos Estados Unidos como país anfitrião”.
“Apelamos à administração norte-americana para que levante essas sanções e restrições, retome o diálogo e o respeito mútuo e trabalhe conosco e com a comunidade internacional a fim de implementar a solução de dois Estados com base na legitimidade internacional e estabelecer a paz, em vez de punir o lado que escolheu o caminho do direito internacional e da ação política e diplomática para garantir seus direitos”, declarou.
Nesse sentido, Abbas afirma que o povo palestino e seus líderes não devem ser punidos por exigirem o fim da ocupação ou por recorrerem à ONU, à Corte Internacional de Justiça ou ao Tribunal Penal Internacional. “Nossa escolha de invocar o direito internacional é uma escolha pacífica e civilizada”, disse ele.
O presidente palestino denunciou a expansão dos assentamentos que está se acelerando na Cisjordânia, incluindo Jerusalém Oriental, enquanto o “terrorismo” dos colonos está aumentando “sob a proteção das forças de ocupação”, e também expôs o “roubo de terras” e as demolições no âmbito de um “sistema de leis, medidas e práticas, todos construídos sobre discriminação racial, limpeza étnica e terrorismo de Estado”.
Abbas alertou que tais políticas iam além da destruição da solução de dois Estados, ameaçando “a própria existência do povo palestino”, e observou que a violência israelense contra Gaza “criou uma catástrofe humanitária sem precedentes” e que “visou todas as necessidades básicas da vida e o futuro de gerações inteiras”.
“Buscamos um Estado palestino democrático que respeite o Estado de Direito e os direitos humanos”, afirma o presidente da Autoridade Palestina, enfatizando que seria “um Estado não militarizado” que “vive em segurança e paz ao lado do Estado de Israel”.

“O que a comunidade internacional está esperando para proteger o povo palestino, garantir sua permanência em suas terras, pôr fim à ocupação israelense e implementar a solução de dois Estados com base na legitimidade internacional?”, perguntou.
“Na Faixa de Gaza, nosso povo está sendo submetido pelas forças de ocupação israelenses a assassinatos, destruição, fome e tentativas de deslocamento”, disse, e classificou o ataque de Israel como “uma guerra genocida”.
“Até quando alguns Estados continuarão em silêncio sobre Israel ou fornecendo-lhe as armas que usa contra o nosso povo? O mundo testemunhou o enorme custo na Faixa de Gaza e na Cisjordânia”, questionou Abbas.
O presidente da Palestina prosseguiu e relembrou que o extremismo israelense “busca expandir seu projeto colonial para estabelecer o chamado Grande Israel e apagar completamente a presença palestina”.
Sobre o Conselho de Paz de Gaza que foi estabelecido há quase um ano, e resta apenas um ano para o término do período de transição designado, Abbas acrescentou que “apelamos para que se acelere a implementação da segunda fase [do acordo de paz em Gaza entre Israel e o Hamas], em vez de se perder mais tempo”.
“Além disso, apelamos ao presidente Trump para que cumpra os compromissos que assumiu com os líderes dos Estados árabes e islâmicos em setembro passado, de impedir a anexação de terras palestinas e de rejeitar o deslocamento forçado”, declarou, enquanto dois funcionários da delegação norte-americana escutavam sua gravação.
Concluindo seu discurso, Abbas disse: “Estenderemos nossas mãos para uma paz baseada na legitimidade internacional, para que nossa liberdade e independência possam ser alcançadas e para que todos na região possam viver em segurança, paz e boa vizinhança”.
“Não queremos um novo processo para gerir o conflito enquanto a situação na região muda todos os dias”, disse Abbas à Assembleia Geral da ONU, acrescentando que “queremos um processo que ponha fim à ocupação e garanta a liberdade e a autodeterminação dos palestinos, um processo que garanta também a segurança e a paz para os israelenses e os países da região”.
Nenhum membro da delegação israelense foi fotografado sentado na Assembleia Geral enquanto Abbas discursava.