Quarta-feira, 8 de julho de 2026
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Durante uma reunião extraordinária da Assembleia Geral das Nações Unidas sobre contribuições voluntárias na terça-feira (30/06), o secretário-geral da da ONU, António Guterres, pediu que todos os países cubram a lacuna de US$ 100 milhões (quase R$ 520 milhões pela cotação atual) no financiamento ao órgão destinado aos refugiados palestinos (UNRWA, na sigla em inglês), ao denunciar que milhões estão em risco devido ao déficit orçamentário.

De acordo com o chefe da ONU, a situação da UNRWA tem ficado cada vez mais precária devido à falta de financiamento e às restrições abrangentes impostas por Israel ao trabalho da agência em todo o território palestino ocupado. Com recursos insuficientes, a entidade humanitária foi forçada a reduzir suas operações.

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“Ao nos reunirmos aqui hoje, a segurança e o bem-estar de milhões de refugiados palestinos estão em jogo”, disse Guterres, destacando que as condições de vida na Palestina são “absolutamente horríveis”.

Ele também mencionou a violência de colonos israelenses na Cisjordânia ocupada e os constantes ataques israelenses dirigidos ao Líbano – apesar do cessar-fogo –, onde muitos refugiados palestinos buscaram abrigo.

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“[UNRWA] enfrenta restrições abrangentes em todo o território palestino ocupado. E uma falta de dinheiro que coloca em risco seu trabalho em toda a região”, disse.

De acordo com o secretário-geral, novos cortes de financiamento para a UNRWA poderiam “levar as condições além do limite”.

António Guterres diz que a situação da UNRWA tem ficado cada vez mais precária devido à falta de financiamento e às restrições abrangentes impostas por Israel
United States Mission Geneva/Flickr

A UNRWA atua na Faixa de Gaza, na Cisjordânia ocupada e Jerusalém Oriental, Líbano, Jordânia e Síria, fornecendo ajuda, educação, saúde, serviços sociais e abrigo para 2,6 milhões de refugiados palestinos. Os Estados Unidos foram historicamente o maior doador da agência humanitária, mas cortaram o financiamento em janeiro de 2024, durante a gestão de Joe Biden, após Israel alegar, sem provas, que um alguns funcionários da agência teriam supostamente participado do ataque de 7 de outubro.

“Eles não podem continuar assim sem apoio urgente e financeiro dos Estados-membros”, alertou Guterres, observando que a agência tomou medidas para implementar reformas e atualizar sua política sobre atividades externas após as acusações do regime sionista.

“A UNRWA é uma força estabilizadora em uma era de instabilidade”, acrescentou, denunciando os “esforços contínuos para minar a agência” por meio de “desinformação, campanhas difamadoras, ações legislativas, restrições operacionais, bloqueios diplomáticos e mais”.

Além disso, 390 membros da UNRWA foram assassinados por Israel em Gaza desde outubro de 2023. Segundo Guterres, os posicionamentos israelenses não só ameaçam o bem-estar de milhões de palestinos, como também de funcionários humanitários.