Gwyneth Paltrow estrela campanha de prédio luxuoso israelense em cidade palestina ocupada
Edifício 51 PARK será construído em Herzliya, cidade erguida sobre ruínas da vila Al-Haram; modelo palestina-americana Alana Hadid acusou atriz de 'cumplicidade'
Em meio à campanha militar expansionista de Israel em Gaza, Líbano e Síria, a atriz de Hollywood, Gwyneth Paltrow, foi anunciada como o rosto da campanha publicitária do 51 PARK, um empreendimento residencial de luxo na cidade ocupada de Herzliya, que foi construída sobre as ruínas da vila palestina de Al-Haram.
No vídeo, filmado em Nova York pela agência WhyWorry, de Tel Aviv, Paltrow aparece acordando em um apartamento de um arranha-céu, saindo para uma corrida matinal e se preparando para o dia, tudo isso enquanto narra as maravilhas de morar perto de um parque.
“Existe um motivo para os edifícios mais icônicos do mundo estarem perto de um parque”, diz Paltrow no vídeo, enquanto pede a um motorista que a leve ao “51 Park”. “Nova Iorque?”, pergunta ele. “Herzliya, Israel”, responde a atriz.
A reação online foi imediata questionando o momento da campanha e a decisão de um grande nome de Hollywood de endossar um projeto imobiliário de luxo enquanto a guerra em Gaza continua.
American actress gwyneth paltrow faces huge backlash after she promoted for $10M penthouses in Israel while Israel is committing genocide in Palestine pic.twitter.com/Pjcw4NsSTu
— LPC (@landpalestine) June 9, 2026
A modelo palestina-americana e ativista de direitos humanos Alana Hadid, irmã das supermodelos Gigi e Bella Hadid, também usou as redes sociais para escrever: “Cara, o nível de capitalismo descontrolado é [palavrão] assustador. Brutal. Amiga. Você já abriu um jornal ou assistiu ao noticiário? Isso não é nem insensibilidade, é cumplicidade.”
A empresária de beleza iraquiana-americana Huda Kattan, da marca Huda Beauty, comentou nas redes sociais: “Ela sabe exatamente o que está acontecendo lá! Este vídeo é repugnante! Que vergonha!”
As duas torres de 51 andares estão sendo construídas pelo grupo imobiliário israelense Aviv Melisron, ao lado do Parque Herzliya. A cidade costeira, que foi criada em 1920 sobre as ruínas da vila palestina de Al-Haram, é frequentemente considerada o mais novo destino de luxo de Israel.
O anúncio surge num momento em que Tel Aviv enfrenta crescentes críticas internacionais pelas suas operações militares em Gaza e no Líbano. O genocídio perpetrado pelo governo israelense na Palestina desde outubro de 2023 matou quase 73.000 palestinos e feriu mais de 173.000, a maioria mulheres e crianças, de acordo com dados enclave.
Vila palestina de Al-Haram
Herzliya está situada no local de uma vila palestina chamada Al-Haram, cuja população foi removida à força, em meados da década de 1920 quando os colonos começaram a comprar terras, usando fundos da American Zion Commonwealth Corporation. A cidade foi nomeada em homenagem ao fundador do sionismo moderno, Theodor Herzl.
Centenas de palestinos viviam ali quando o assentamento foi fundado em 1924. Al-Haram é uma das mais de 530 vilas e cidades palestinas que foram destruídas ou tiveram sua população removida à força durante a Nakba. Resta apenas a mesquita da vila.
Durante a Nakba e a criação de Israel em 1948, milícias sionistas ocuparam a vila à medida que tomavam o controle da costa palestina, forçando os residentes palestinos a deixarem suas casas.
























