Terça-feira, 23 de junho de 2026
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Em meio à campanha militar expansionista de Israel em Gaza, Líbano e Síria, a atriz de Hollywood, Gwyneth Paltrow, foi anunciada como o rosto da campanha publicitária do 51 PARK, um empreendimento residencial de luxo na cidade ocupada de Herzliya, que foi construída sobre as ruínas da vila palestina de Al-Haram.

No vídeo, filmado em Nova York pela agência WhyWorry, de Tel Aviv, Paltrow aparece acordando em um apartamento de um arranha-céu, saindo para uma corrida matinal e se preparando para o dia, tudo isso enquanto narra as maravilhas de morar perto de um parque.

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“Existe um motivo para os edifícios mais icônicos do mundo estarem perto de um parque”, diz Paltrow no vídeo, enquanto pede a um motorista que a leve ao “51 Park”. “Nova Iorque?”, pergunta ele. “Herzliya, Israel”, responde a atriz.

A reação online foi imediata questionando o momento da campanha e a decisão de um grande nome de Hollywood de endossar um projeto imobiliário de luxo enquanto a guerra em Gaza continua.

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A modelo palestina-americana e ativista de direitos humanos Alana Hadid, irmã das supermodelos Gigi e Bella Hadid, também usou as redes sociais para escrever: “Cara, o nível de capitalismo descontrolado é [palavrão] assustador. Brutal. Amiga. Você já abriu um jornal ou assistiu ao noticiário? Isso não é nem insensibilidade, é cumplicidade.”

A empresária de beleza iraquiana-americana Huda Kattan, da marca Huda Beauty, comentou nas redes sociais: “Ela sabe exatamente o que está acontecendo lá! Este vídeo é repugnante! Que vergonha!”

As duas torres de 51 andares estão sendo construídas pelo grupo imobiliário israelense Aviv Melisron, ao lado do Parque Herzliya. A cidade costeira, que foi criada em 1920 sobre as ruínas da vila palestina de Al-Haram, é frequentemente considerada o mais novo destino de luxo de Israel.

O anúncio surge num momento em que Tel Aviv enfrenta crescentes críticas internacionais pelas suas operações militares em Gaza e no Líbano. O genocídio perpetrado pelo governo israelense na Palestina desde outubro de 2023 matou quase 73.000 palestinos e feriu mais de 173.000, a maioria mulheres e crianças, de acordo com dados enclave.

Vila palestina de Al-Haram

Herzliya está situada no local de uma vila palestina chamada Al-Haram, cuja população foi removida à força, em meados da década de 1920 quando os colonos começaram a comprar terras, usando fundos da American Zion Commonwealth Corporation. A cidade foi nomeada em homenagem ao fundador do sionismo moderno, Theodor Herzl.

Centenas de palestinos viviam ali quando o assentamento foi fundado em 1924. Al-Haram é uma das mais de 530 vilas e cidades palestinas que foram destruídas ou tiveram sua população removida à força durante a Nakba. Resta apenas a mesquita da vila.

Durante a Nakba e a criação de Israel em 1948, milícias sionistas ocuparam a vila à medida que tomavam o controle da costa palestina, forçando os residentes palestinos a deixarem suas casas.