Terça-feira, 6 de outubro de 2026
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Um relatório apresentado pela organização israelense de direitos humanos B’Tselem acusa Israel de promover “ataques sistemáticos e generalizados contra as condições necessárias para a existência coletiva dos palestinos na Cisjordânia”.

O documento, intitulado “Projeto Eliminação” e divulgado em reportagem do diário britânico The Guardian, afirma que as medidas adotadas nos últimos meses pelo governo sionista encabeçado pelo premiê Benjamin Netanyahu “está intensificando drasticamente seus ataques a todos os aspectos da vida dos palestinos em seu território”.

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O relatório também descreve que as ações impulsionadas por Israel seguem “uma lógica organizadora coerente”, envolvendo: medidas de intimidação à população local, restrições de movimento de civis, estrangulamento econômico de negócios locais, destruição das entidades de organização social e política, e, finalmente, de ocupação dos territórios.

De acordo com o documento, desde outubro de 2023 – ou seja, em paralelo ao massacre também realizado por Israel contra o território palestino da Faixa de Gaza –, 1.107 palestinos foram mortos pelas forças de Israel na Cisjordânia. Ademais, as políticas implementadas por Tel Aviv estariam “criando uma realidade na qual milhões de palestinos vivem em constante temor pela violência militar e civil israelense”.

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“As comunidades palestinas estão sendo expulsas e eliminadas, em um processo acelerado de limpeza étnica, enquanto uma presença israelense cada vez maior se estabelece em seu lugar, na forma de assentamentos, postos avançados, fazendas e infraestrutura civil exclusiva para judeus”, diz um trecho do documento produzido pela B’Tselem.

A organização também descreve as medidas como “o avanço mais abrangente das políticas de opressão às populações palestinas residentes na Cisjordânia desde 1989”. O período mencionado inclui os últimos meses da Primeira Intifada, revolta popular e massiva dos palestinos contra a ocupação israelense, que durou entre dezembro de 1987 e julho de 1989, no qual 263 palestinos foram mortos e 4.650 ficaram feridos apenas na Cisjordânia, segundo estatísticas de organizações locais.

Sanções do Reino Unido

A denúncia da organização ocorre dias depois de uma declaração do chanceler do Reino Unido, Ed Miliband, acusando grupos de colonos israelenses de cometerem “atos de terrorismo” contra palestinos na Cisjordânia.

Na ocasião, Miliband anunciou sanções contra empresas que apoiam esses assentamentos, assim como a proibição da exportação de armas para Israel e classificou o que está acontecendo na Cisjordânia como “limpeza étnica”.

Durante discurso na última terça-feira (08/09), na Câmara dos Comuns, o chanceler britânico explicou que o país adotará um novo regime de sanções contra empresas e indivíduos que prestem serviços como construção, financiamento de infraestrutura ou imobiliário para a expansão de assentamentos, e afirmou que a legislação levará de seis a nove meses para entrar em vigor.

“Portanto, aqueles que financiam ou facilitam assentamentos ilegais enfrentarão toda a força das sanções. Os assentamentos são ilegais e não devem ser promovidos em nosso país”, alegou Miliband.

O ministro de Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir
Mostafa Alkharouf / Anadolu

Visita a Singapura sobre sistema de pena capital

Em simultâneo à difusão do relatório da B’Tselem, o jornal israelense Haaretz revelou em reportagem que uma delegação de Tel Aviv fez uma visita secreta a Singapura nos últimos dias.

Segundo o diário, o objetivo do grupo israelense seria estudar o sistema de pena de morte de Singapura, que possui entre suas práticas a modalidade da pena de morte por enforcamento.

A reportagem mostra que a delegação israelense estaria ligada ao Ministério de Segurança Nacional do país, comandado pelo ministro Itamar Ben-Gvir, o mesmo que impulsionou um projeto aprovado em março pelo Parlamento de Israel que estabelece pena de morte para palestinos condenados em tribunais militares por ataques que resultaram em mortes – mas que não prevê a mesma sentença para cidadãos israelenses condenados pelo mesmo tipo penal.

Na época da tramitação do projeto, Ben-Gvir visitou o Parlamento para defender a proposta, e o fez usando, em seu paletó, um chamativo broche em forma de forca.

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