Israel deporta ativista brasileiro Thiago Ávila após uma semana de detenção
Defesa reitera condenação 'flagrante violação do direito internacional'; ativista espanhol-palestino Abu Keshek também foi solto
O Ministério das Relações Exteriores de Israel confirmou formalmente neste domingo (10/05) que os ativistas brasileiro Thiago Ávila e espanhol-palestino Saif Abu Keshek, membros da Flotilha Global Sumud, foram libertados e deportados, não estando mais, portanto, sob custódia israelense. A informação também foi comunicada para a Adalah, equipe jurídica de direitos humanos.
A pasta, no entanto, acrescentou que “Israel não permitirá qualquer violação” do bloqueio sobre Gaza, sem fornecer detalhes, muito menos mencionar as acusações iniciais que levaram ambos a ficarem detidos. De acordo com os argumentos iniciais, os ativistas estariam participando o que classificam como “atividade ilegal”, além disso, Abu Keshek estaria ligado ao que o regime sionista considera “uma organização terrorista”, em referência à Conferência Popular para os Palestinos no Exterior (PCPA) da qual faz parte, sancionada pelos Estados Unidos.
After their investigation was completed, the two professional provocateurs, Saif Abu Keshek and Thiago Ávila, from the provocation flotilla, were deported today from Israel. Israel will not allow any breach of the lawful naval blockade on Gaza.
— Israel Foreign Ministry (@IsraelMFA) May 10, 2026
Apesar da notícia da libertação, em nota, a associação que representa os dois integrantes da missão humanitária reforçou sua condenação à “flagrante violação do direito internacional”.
“Desde o sequestro em águas internacionais até a detenção ilegal em isolamento total e os maus-tratos a que foram submetidos, as ações das autoridades israelenses constituíram um ataque punitivo a uma missão puramente civil”, afirma, denunciando que a detenção e o interrogatório em que os ativistas foram submetidos expõe uma “tentativa inaceitável de suprimir a solidariedade global com os palestinos em Gaza”.

Governo de Israel confirma libertação e deportação de Thiago Ávila e Abu Keshek
Global Sumud Flotilla/Reprodução
Ávila se dirige a Cairo, capital do Egito, enquanto Abu Keshek, em vídeo publicado e compartilhado pelas contas oficiais da Flotilha Global Sumud, relata ter chegado em Atenas, na Grécia. Ele também reforça a necessidade da continuidade das missões humanitárias, “por terra e por mar pela Palestina livre”.
“Deixei para trás milhares de prisioneiros palestinos, crianças, mulheres e homens. Tenho certeza que o tratamento que tive não pode ser comparado com o sofrimento que eles [palestinos] estão enfrentando. Sobre os relatos que ouvimos sobre torturas e violações diárias. Precisamos continuar nos mobilizando. Queria agradecer a todos que se mobilizaram, à nossa defesa Adalah, minha família, minha esposa, minhas crianças. Meus colegas no movimento, as 180 pessoas, eu ouvi suas vozes e isso me deu forças. Mas ainda não finalizamos. Temos que continuar. Temos que continuar nos mobilizando até a libertação da Palestina”, afirmou.
Na quarta-feira (06/05), o Tribunal Distrital de Beer Sheva, de Israel, havia rejeitado um recurso apresentado pela defesa dos dois ativistas contra a manutenção das detenções, mesmo sem nenhuma acusação formal apresentada. Após pressão internacional, incluindo dos governos do Brasil e da Espanha que denunciaram a ilegalidade da conduta israelense, o regime sionista recuou e, no sábado (09/05), anunciou a libertação de ambos.
Ávila e Abu Keshek foram sequestrados ilegalmente pela Marinha israelense em águas internacionais na data de 30 de maio. Em seguida, foram levados à força a uma detenção em Israel, onde ficaram retidos em situação de isolamento total e, conforme apuração de Opera Mundi, submetidos a agressões físicas. Em imagens que circularam no noticiário global nos últimos dias, o brasileiro e o espanhol-palestino aparecem em um tribunal israelense com marcas visíveis de violência.
























