Segunda-feira, 8 de junho de 2026
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O Ministério das Relações Exteriores de Israel confirmou formalmente neste domingo (10/05) que os ativistas brasileiro Thiago Ávila e espanhol-palestino Saif Abu Keshek, membros da Flotilha Global Sumud, foram libertados e deportados, não estando mais, portanto, sob custódia israelense. A informação também foi comunicada para a Adalah, equipe jurídica de direitos humanos.

A pasta, no entanto, acrescentou que “Israel não permitirá qualquer violação” do bloqueio sobre Gaza, sem fornecer detalhes, muito menos mencionar as acusações iniciais que levaram ambos a ficarem detidos. De acordo com os argumentos iniciais, os ativistas estariam participando o que classificam como “atividade ilegal”, além disso, Abu Keshek estaria ligado ao que o regime sionista considera “uma organização terrorista”, em referência à Conferência Popular para os Palestinos no Exterior (PCPA) da qual faz parte, sancionada pelos Estados Unidos.

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Apesar da notícia da libertação, em nota, a associação que representa os dois integrantes da missão humanitária reforçou sua condenação à “flagrante violação do direito internacional”. 

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“Desde o sequestro em águas internacionais até a detenção ilegal em isolamento total e os maus-tratos a que foram submetidos, as ações das autoridades israelenses constituíram um ataque punitivo a uma missão puramente civil”, afirma, denunciando que a detenção e o interrogatório em que os ativistas foram submetidos expõe uma “tentativa inaceitável de suprimir a solidariedade global com os palestinos em Gaza”.

Governo de Israel confirma libertação e deportação de Thiago Ávila e Abu Keshek
Global Sumud Flotilla/Reprodução

Ávila se dirige a Cairo, capital do Egito, enquanto Abu Keshek, em vídeo publicado e compartilhado pelas contas oficiais da Flotilha Global Sumud, relata ter chegado em Atenas, na Grécia. Ele também reforça a necessidade da continuidade das missões humanitárias, “por terra e por mar pela Palestina livre”.

“Deixei para trás milhares de prisioneiros palestinos, crianças, mulheres e homens. Tenho certeza que o tratamento que tive não pode ser comparado com o sofrimento que eles [palestinos] estão enfrentando. Sobre os relatos que ouvimos sobre torturas e violações diárias. Precisamos continuar nos mobilizando. Queria agradecer a todos que se mobilizaram, à nossa defesa Adalah, minha família, minha esposa, minhas crianças. Meus colegas no movimento, as 180 pessoas, eu ouvi suas vozes e isso me deu forças. Mas ainda não finalizamos. Temos que continuar. Temos que continuar nos mobilizando até a libertação da Palestina”, afirmou.

Na quarta-feira (06/05), o Tribunal Distrital de Beer Sheva, de Israel, havia rejeitado um recurso apresentado pela defesa dos dois ativistas contra a manutenção das detenções, mesmo sem nenhuma acusação formal apresentada. Após pressão internacional, incluindo dos governos do Brasil e da Espanha que denunciaram a ilegalidade da conduta israelense, o regime sionista recuou e, no sábado (09/05), anunciou a libertação de ambos. 

Ávila e Abu Keshek foram sequestrados ilegalmente pela Marinha israelense em águas internacionais na data de 30 de maio. Em seguida, foram levados à força a uma detenção em Israel, onde ficaram retidos em situação de isolamento total e, conforme apuração de Opera Mundi, submetidos a agressões físicas. Em imagens que circularam no noticiário global nos últimos dias, o brasileiro e o espanhol-palestino aparecem em um tribunal israelense com marcas visíveis de violência.