Terça-feira, 9 de junho de 2026
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Um tribunal federal em Washington emitiu na quarta-feira (13/05) uma liminar suspendendo as sanções impostas em 2025 pelo governo Trump contra Francesca Albanese, Relatora Especial da ONU para os territórios palestinos nas Nações Unidas. O juiz federal Richard Leon decidiu que as medidas poderiam constituir uma restrição inconstitucional à liberdade de expressão.

A decisão, proferida na sequência de uma ação judicial movida por familiares da advogada italiana, estabelece que a liberdade de expressão é sempre de interesse público. A suspensão é temporária e baseia-se na potencial violação da Primeira Emenda, uma vez que as sanções visam o conteúdo do discurso do especialista internacional.

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A medida suspende os principais efeitos das sanções: a proibição de entrada nos Estados Unidos e o congelamento de ativos no sistema financeiro norte-americano. Essas restrições permanecerão suspensas até que o tribunal se pronuncie sobre o mérito da causa.

Contexto jurídico das sanções

No início de 2026, o Departamento de Estado dos EUA reiterou que as sanções contra a relatora eram legais e apropriadas. O governo dos EUA acusa Albanese de apoiar o antissemitismo e o terrorismo, bem como de recorrer a táticas jurídicas agressivas contra seus interesses.

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As sanções foram anunciadas em julho de 2025 pelo Secretário de Estado Marco Rubio. Ele justificou as medidas alegando que o relator estava conduzindo ações no Tribunal Penal Internacional (TPI) contra autoridades e empresas estadunidenses e israelenses.

“A campanha política e econômica de Albanese contra os Estados Unidos e Israel não será mais tolerada. Sempre apoiaremos nossos parceiros em seu direito à autodefesa”, declarou Rubio na ocasião.

O marido de Albanese, Massimiliano Cali, e a filha do casal entraram com o processo em 27 de fevereiro, após sofrerem dificuldades financeiras e perderem o acesso à sua casa em Washington. A ação alega violações dos direitos à liberdade de expressão e ao devido processo legal, garantidos pela Primeira, Quarta e Quinta Emendas da Constituição dos Estados Unidos.

O texto legal adverte que as sanções são utilizadas de forma abusiva quando visam silenciar pontos de vista desfavoráveis ​​e violam os direitos constitucionais de pessoas que não agradam ao Governo.

O trabalho de Albanese e a rejeição internacional

Francesca Albanese, que viveu em Jerusalém e testemunhou em primeira mão as políticas de apartheid, denunciou crimes de guerra e genocídio na Faixa de Gaza. Em seu relatório, Anatomia de um Genocídio (2024), ela alertou para a “limpeza étnica” e a “economia do genocídio”. Desde o início de seu mandato, em 2022, a especialista afirma não ter conseguido entrar em Gaza ou na Cisjordânia ocupada.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, classificou essas ações como “inaceitáveis” e um “precedente perigoso”. Organizações como a Anistia Internacional e a Human Rights Watch também condenaram as medidas. Albanese afirmou que as sanções são “o ápice de um assédio totalmente desnecessário”.