Quarta-feira, 2 de setembro de 2026
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Acompanhados pelo ministro da Segurança Nacional Itamar Ben-Gvir, mais de 4.200 colonos israelenses e membros de grupos de extrema-direita invadiram nesta quinta-feira (23/07) o complexo da Mesquita de Al-Aqsa, em Jerusalém Oriental ocupada, em uma das maiores incursões deste ano, enquanto celebravam o Tisha B’Av, um dia de luto judaico que marca a destruição, por duas vezes, de um antigo templo judaico que se acredita ter existido no local conhecido pelos muçulmanos como Al-Aqsa e pelos judeus como Monte do Templo.

Segundo a emissora catari Al Jazeera, as autoridades israelenses “tomaram medidas extremas na Cidade Velha” de Jerusalém, incluindo a proibição de entrada no complexo de Al-Aqsa para todos, exceto idosos, e o reforço da segurança em postos de controle como os de Qalandiya e nos arredores de Jerusalém Oriental. Dessa forma, os colonos realizaram rituais talmúdicos dentro do complexo, incluindo prostrações, cantos e orações, informou o governo de Jerusalém.

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A administração palestina da província de Jerusalém afirmou que 4.288 israelenses já entraram no complexo. A previsão era de que esse número continuasse a aumentar até o pôr do sol, podendo chegar a 5.000, segundo o governo local, o que excederia os números registrados em anos anteriores durante o mesmo feriado judaico.

Autoridades palestinas afirmaram que as forças israelenses também impuseram restrições rigorosas nos portões da mesquita, impediram a entrada de um grande número de fiéis e estudantes palestinos e agrediram vários fiéis.

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A mídia israelense informou que a polícia permitiu que mais de mil israelenses orassem no local na quinta-feira. Embora não muçulmanos possam visitar o terceiro local mais sagrado do Islã, eles estão proibidos de orar lá, conforme um acordo de 1967.

Ben-Gvir disse que os judeus que visitam o local em Tisha B’Av “se sentem como donos”, elogiando o que chamou de “tremendo progresso” no local, informou o jornal Haaretz.

Condenações

O governo de Jerusalém descreveu a entrada do ministro como uma escalada perigosa, afirmando que ela refletia o apoio oficial israelense a ações anteriormente associadas a grupos que defendiam a reconstrução de um templo judaico no local.

Por sua vez, a Presidência palestina classificou as incursões como uma “escalada perigosa” destinada a impor uma divisão temporal e espacial do local, afirmando que o complexo continua sendo um local de culto exclusivamente islâmico sobre o qual Israel não detém soberania legal.

A chancelaria palestina também condenou o que classificou como uma violação flagrante do direito internacional. Assim como o grupo palestino Hamas alertou que esses “atos flagrantes de agressão terão um efeito contrário ao da ocupação e de seus colonos”.

O Ministério das Relações Exteriores da Jordânia condenou a visita de Ben-Gvir, classificando que se tratava de “uma profanação da santidade da mesquita, uma escalada, um ato bárbaro e uma provocação inaceitável”.

O porta-voz da chancelaria jordaniana, embaixador Fouad Majali, alertou que tais ações violam o status quo histórico e legal do local.

O Ministério de Doações e Assuntos Religiosos da Palestina condenou anteriormente os apelos às incursões como uma “escalada perigosa” destinada a alterar o status quo histórico e jurídico no local e instou a comunidade internacional a pressionar Israel para que as interrompa.

Israel ocupou Jerusalém Oriental na guerra árabe-israelense de 1967 e a anexou em 1980, uma ação não reconhecida internacionalmente.