Middle East Eye: museu britânico mentiu ao explicar sobre remoção do termo 'Palestina' de exposições
Instituição disse que termo 'não tinha mais significado' para visitantes, mas apuração de veículo independente confirma que nenhum teste com público foi realizado
O Museu Britânico removeu os termos Palestina, palestino e ocupação israelense de suas exposições em resposta direta a meses de pressão em 2024, segundo uma investigação do Middle East Eye (MEE).
Em fevereiro de 2026, o museu defendeu sua decisão de alterar algumas exposições, afirmando que testes com o público mostraram que o termo Palestina não tinha mais significado. No entanto, uma nova declaração da instituição ao MEE, em resposta a um pedido de acesso à informação, confirma que nenhum teste desse tipo foi realizado, nem qualquer pesquisa com visitantes relacionada ao termo Palestina.
As diversas respostas contraditórias do museu parecem obscurecer a extensão total das mudanças realizadas. As alterações nas exposições que datam de 7.500 a.C. ocorreram após reclamações privadas e públicas de organizações e indivíduos de destaque que apoiam Israel, entre outubro e dezembro de 2024, conforme mostram os e-mails do museu.
A publicação analisou dois conjuntos de e-mails internos com muitas partes censuradas e os cruzou com reclamações online para identificar alguns dos ativistas e figuras públicas que pressionaram o museu. Entre os queixosos estão um ex-editor de entretenimento do Daily Mail, um historiador proeminente e o Conselho de Deputados dos Judeus Britânicos, uma organização comunitária judaica pró-Israel que recentemente fez parceria com o museu em eventos que marcam o Mês da Cultura Judaica.
As queixas foram apresentadas e as alterações foram acordadas pelo museu mais de 14 meses antes de uma intervenção amplamente divulgada da UK Lawyers for Israel (UKLFI), uma organização de campanha pró-Israel, no início deste ano.

Museu Britânico
Foto: Wikimedia Commons
Husam Zomlot, embaixador palestino no Reino Unido, disse ao MEE que a remoção das referências à Palestina nas galerias do museu era absolutamente existencial para nós e afirmou já ter escrito ao Museu Britânico e ao governo britânico exigindo sua restauração.
Ao remover referências à história palestina, o Museu Britânico está traindo seu compromisso com a história e permitindo ser usado para fins políticos. Continuaremos a trabalhar e a comunicar com todos os órgãos relevantes para deixar esta mensagem bem clara, até que os rótulos originais sejam restaurados, afirmou Zomlot.
Dessa forma, a instituição disse ao MEE que era simplesmente falso que tivesse removido a palavra Palestina das exposições. Não respondeu à lista detalhada de perguntas do veículo relacionadas a esta investigação.
Além das controvérsias envolvendo as exposições, o museu, que é financiado publicamente, mas administrado por um conselho curador, enfrentou diversas crises de relações públicas desde que Nick Cullinan assumiu a direção em 2024.
Em maio do ano passado, a organização enfrentou críticas de seus próprios funcionários após sediar um evento com a embaixada israelense para comemorar o dia da independência de Israel, que contou com a presença da então embaixadora do país no Reino Unido, Tzipi Hotovely, que se manifestou a favor da destruição de Gaza.
O evento provocou manifestações de grupos pró-Palestina, com manifestantes desfraldando uma faixa com os dizeres Genocídio colonial na rua em frente ao pátio principal do museu.
























