Quarta-feira, 2 de setembro de 2026
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Em ação realizada na manhã desta terça-feira (25/08), as forças israelenses invadiram o Centro de Operações de Qalandiya, uma instalação utilizada pela Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA, por sua sigla em inglês) na cidade de Kafr Aqab, em Jerusalém Oriental – considerada parte do território palestino, mas é que se encontra ocupada militarmente por Israel.

Em meio ao ataque, os soldados de Israel ordenaram a evacuação do complexo, expulsando à força todos os funcionários da UNRWA – entidade que é ligada à Organização das Nações Unidas (ONU) – e exigindo que não retornassem ao local.

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Antes de realizar o ataque, os mesmos soldados realizaram outras ações na região, nas quais fecharam o posto de controle nas proximidades e espalharam um grande contingente militar pelos bairros vizinhos, incluindo setores onde há campos de refugiados.

O ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir, foi até o local no final da operação, a classificou como “bem sucedida” e alegou que “não há lugar para uma agência da ONU em Jerusalém e em Israel”.

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Segundo o canal catari Al Jazeera, o Centro de Operações da UNRWA de Qalandiya, em Jerusalém Oriental prestava serviços vitais a cerca de 16 mil refugiados palestinos, a maioria expulsos de aldeias da Cisjordânia por colonos israelenses.

A jornalista Sarah Abu Alrob, correspondente que colabora com a Al Jazeera, relata em sua reportagem que o ataque desta terça “faz parte de uma campanha mais ampla, com a qual Tel Aviv tem promovido o desmantelamento da UNRWA, que presta serviços educativos, médicos e sociais aos refugiados palestinos”.

Justificativa

A justificativa formal para o ataque, no entanto, foi publicada horas depois, em um comunicado do Ministério das Relações Exteriores de Israel, o qual anunciou que a Prefeitura de Jerusalém teria iniciado as obras para transformar a propriedade em “um novo complexo educacional e comunitário”.

De acordo com a nota, o terreno onde se encontrava a instalação da UNRWA pertence supostamente ao Fundo Nacional Judaico, que alega possuir essa propriedade desde 1937 e que a agência da ONU teria mantido a área cercada ilegalmente por década.

Entrada do Centro de Operações da UNRWA em Qalandiya
UN News

O comunicado também utiliza como argumento uma legislação anti-UNRWA aprovada pelo Knesset (Parlamento israelense) em outubro de 2024, que proíbe as atividades da agência em territórios que Israel considera como seus.

Ao finalizar, a nota do governo israelense promete que “o projeto beneficiará milhares de residentes palestinos em Kafr Aqab, com instalações planejadas que incluem escolas adicionais, uma mesquita, campos esportivos e centros de saúde”.