Terça-feira, 6 de outubro de 2026
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O rapper norte-americano Macklemore anunciou nesta segunda-feira (14/09) que foi retirado da “Loop Tour”, de Ed Sheeran, após discursar em favor de uma “Palestina livre”, declarando que não é a vítima, e sim o povo palestino que está sendo assassinado. Ele observa que a “típica postura apolítica” de Sheeran estava sendo “desafiada de uma forma como nunca havia sido antes” e que ele não conseguiu superar sua imagem pública de “eu não tomo partido”.

“Ele me disse que as palavras ‘Palestina Livre’ e a imagem da bandeira palestina foram dolorosas para muitas pessoas com quem ele conversou. Eu disse a ele que se essas palavras fossem mais ofensivas do que dezenas de milhares de crianças palestinas sendo mortas por Israel, então havia uma desconexão fundamental entre onde aquelas pessoas estavam e onde eu estava”, disse Macklemore.

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Em solidariedade, o ator Javier Bardem e a atriz Hannah Einbinder compartilharam no Instagram o texto de Macklemore, e nos comentários as cantoras Marina, Zara Larsson e Paloma Faith publicaram mensagens de apoio ao rapper, assim como a atriz Alyson Stoner. A ativista Greta Thunberg deixou um recado na publicação: “Solidariedade total e Palestina livre. O silêncio muito ativo dos artistas diante da injustiça e do genocídio não será esquecido”.

Durante sua apresentação no último dia 4, no MetLife Stadium, em East Rutherford, Nova Jersey, o cantor disse que queria que as pessoas em Gaza e na Cisjordânia ocupada soubessem que não haviam sido esquecidas, e apresentou “Hind’s Hall”, que faz referência aos protestos pró-Palestina na Universidade Columbia após a morte de Hind Rajab, enquanto imagens da guerra em Gaza eram exibidas nos telões.

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Escalado para abrir oito shows do britânico nos Estados Unidos, Macklemore afirmou que uma de suas motivações para participar da turnê era ter a oportunidade de falar sobre a situação dos palestinos para um público amplo.

 

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Leia o comunicado na íntegra de Macklemore:

Eu não sei como começar isso. Então, vou falar do fundo do meu coração e compartilhar a verdade. Ed Sheeran e sua equipe tomaram a decisão de me retirar da Loop Tour.

Mas, antes de entrar nesse assunto, eu quero dizer algo que é óbvio. Nesse momento, eu acho que importa. Eu não sou a vítima. Ed Sheeran não é a vítima. Pink não é a vítima. Nós temos carreiras, dinheiro, oportunidades, seguranças e públicos ao redor do mundo. Qualquer consequência que algum de nós enfrentarmos pelo que dizemos, nós vamos para casa e para nossas famílias.

As vítimas são o povo palestino. Homens, mulheres e crianças que foram assassinados, passam fome, deslocados e forçados a viver em uma violência inimaginável. Mais de 20 mil crianças foram assassinadas apenas em Gaza. Pessoas estão sendo mortas hoje e serão mortas amanhã. Eu quero ter certeza de que, enquanto eu conto essa história, nós não perdemos essa visão.

Ed é meu amigo. Conheço-o há 13 anos. Nós compartilhamos noites em estúdios e estádios. Ele tem essa magia contagiante que eu aprendi a amar. Eu o considero um irmão. E por causa disso, tivemos algumas conversas difíceis nesta última semana. O tipo de conversas baseadas em amor e respeito mútuo que, ainda assim, terminam em um lugar de desacordo fundamental. Nada do que estou escrevendo aqui é por despeito ou porque eu quero destruir o caráter dele. Mas, como eu disse ao Ed várias vezes no telefone, nossa amizade não pode mudar minha responsabilidade de dizer a verdade sobre o que aconteceu.

Na segunda-feira passada, no meio de toda a atenção da mídia em torno da Pink e do que eu disse no MetLife, Ed me disse que Robert Kraft ligou para ele. Estávamos programados para tocar no Gillette Stadium no final deste mês, que é propriedade do Kraft Group. Ed me disse que Kraft afirmou que eu não teria permissão para me apresentar no estádio dele. Ed também me disse que Kraft reuniu alguns dos outros donos de estádios e, coletivamente, deram a ele um ultimato: se Macklemore continuar na turnê, você não terá permissão para tocar em nossos locais.

Ed estava em uma posição de merda. Ele sabia disso. Sua típica postura apolítica estava sendo desafiada de uma forma como nunca havia sido antes. Ele me disse que as palavras ‘Palestina Livre’ e a imagem da bandeira palestina foram dolorosas para muitas pessoas com quem ele conversou. Eu disse a ele que se essas palavras fossem mais ofensivas do que dezenas de milhares de crianças palestinas sendo mortas por Israel, então havia uma desconexão fundamental entre onde aquelas pessoas estavam e onde eu estava. Mas ele não conseguiu superar sua imagem pública de ‘eu não tomo partido’.

E eu entendo por que as pessoas não tomam partido. Tomar um lado pode custar caro a você. Dinheiro, acordos de marcas, patrocínios, festivais, shows privados, relacionamentos e acesso. Perdi todas essas coisas. Mas não há posição neutra entre o opressor e o oprimido. Quando um lado tem as bombas e o apoio financeiro e militar inesgotável da América, recusar-se a tomar um lado não deixa você no meio.

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