Sem anúncio, Netanyahu inicia reconstrução no sul de Gaza, diz rádio israelense
Gabinete do primeiro-ministro de Israel rejeitou relatos da Galei Zahal, acusando de 'distorcer os fatos'; segundo veículo, trabalhos foram registrados em uma área a leste de Rafah
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e o seu ministro da Defesa, Israel Katz, sinalizaram estar iniciando, de forma discreta, os trabalhos de reconstrução no sul da Faixa de Gaza, de acordo com as informações divulgadas pela Rádio do Exército de Israel (Galei Zahal), veículo operado pelas forças militares, neste domingo (09/08).
Conforme o Galei Zahal, os trabalhos de reconstrução, que incluem a construção de infraestrutura para o estabelecimento de moradias residenciais, estão ocorrendo em uma área do leste de Rafah ocupada pelas Forças de Defesa de Israel (IDF, na sigla em inglês), próxima à “Linha Amarela”, linha de demarcação que divide Gaza em duas.
Segundo a estação, a área foi “completamente nivelada e limpa, e atualmente está vazia”. Ainda acrescentou que “as obras de infraestrutura que agora receberam luz verde permitirão que empreiteiros e trabalhadores entrem na área, realizem trabalhos de escavação e conectem os sistemas de eletricidade, água e esgoto”.
O regime sionista rejeitou, neste mesmo dia, o plano de 15 pontos de Donald Trump para avançar para a segunda fase do acordo de cessar-fogo com o Hamas, recusando-se a retirar suas tropas do território palestino até a desmilitarização integral do movimento de resistência. Conforme as tratativas anteriormente, a reconstrução no território de Gaza somente deveria ocorrer em etapas posteriores ao desarmamento do Hamas.
O veículo israelense destacou que Netanyahu e Katz aprovaram o projeto de reabilitação civil no sul do enclave há duas semanas, enquanto a Força Internacional de Estabilização (ISF, na sigla em inglês) estava prestes a assumir o controle de partes do enclave.
De acordo com o jornal The Jerusalem Post, em resposta, o gabinete do premiê acusou a rádio de “distorcer os fatos e reciclar informações antigas”, ao alegar que essas operações já haviam começado meses atrás, como parte de um projeto de moradia temporária apoiado pelos Emirados Árabes Unidos para moradia temporária “livre do domínio do Hamas”.
“Até o momento, a área foi desocupada de infraestrutura antiterrorista e túneis”, disse o escritório de Netanyahu.

Vista aérea mostra destruição em Rafah após bombardeios israelenses
Wikimedia Commons/Ashraf Amra
Em janeiro, o premiê Netanyahu insistiu que a reconstrução em Gaza apenas seria permitida se o Hamas entregasse primeiramente as suas armas, uma medida consistentemente recusada pelo grupo palestino. No entanto, o plano norte-americano de 15 pontos, rejeitado pelo regime sionista, abordava o desarmamento do movimento.
“Já estou ouvindo as declarações de que permitiremos a reconstrução de Gaza antes da desmilitarização”, disse Netanyahu na época. “Isso não vai acontecer”.
Em resposta aos relatos do Galei Zahal a ministra dos Transportes, Miri Regev, alegou que as obras de reconstrução podem começar em qualquer área da Palestina que não esteja “sob controle do Hamas”.
Por sua vez, o deputado Avigdor Liberman, do partido belicista Yisrael Beytenu, manifestou pela plataforma X que “a reconstrução de Gaza é o pagamento de Netanyahu por sua recente reunião com o presidente [dos Estados Unidos], [Donald] Trump, que realmente não queria se reunir com ele.”
“Em vez de eliminar o Hamas, que ainda segue armado, ficando cada vez mais forte e recrutando dezenas de milhares de terroristas, o governo do massacre de 7 de outubro está reconstruindo a Faixa de Gaza e escondendo-a dos cidadãos de Israel”, alegou Liberman.























