Em funeral coletivo, palestinos enterram 112 corpos recuperados três anos após ataques israelenses
Vítimas das famílias Abu Sharia e Al-Hasayna morreram em bombardeios que atingiram quarteirão residencial no bairro al-Sabra, em novembro de 2023
Milhares de palestinos se reuniram na Cidade de Gaza, no centro do enclave, nesta terça-feira (04/08) para enterrar 112 corpos pertencentes às famílias Abu Sharia e Al-Hasayna, um mesmo clã, que foram assassinados durante ataques aéreos em 22 de novembro de 2023, quando aeronaves israelenses arrasaram um quarteirão residencial no bairro de al-Sabra. Seus restos mortais foram recuperados debaixo dos escombros no último sábado (31/07).
Imagens divulgadas pela emissora catari Al Jazeera do funeral mostram corpos cobertos com bandeiras palestinas e colocados entre as ruínas de casas destruídas antes de serem transportados para o Cemitério Sheikh Shaaban.
De acordo com a agência palestina Wafa, entre as vítimas do evento considerado como um dos mais mortais ao longo do genocídio, haviam 44 crianças, 37 mulheres, 23 idosos e sete pessoas com deficiência. Estes corpos foram recuperados durante um trabalho que durou mais de duas semana.
“Trabalhamos por 17 dias para recuperar os corpos em condições extremamente difíceis. No final, conseguimos recuperar os restos mortais de 112 pessoas”, disse Mahmoud Basal, porta-voz da Defesa Civil Palestina na Faixa de Gaza, ao portal Middle East Eye. “Milhares de pessoas ainda estão enterradas sob os escombros, enquanto suas famílias continuam a lamentar e implorar por meios para recuperá-las”.
Ao veículo, o palestino Amer Abu Sharia, que perdeu parentes no ataque, disse que “há um sentimento de dor e alegria ao mesmo tempo”. “Alegria porque vamos enterrar e honrar esses mártires após três anos. Mas a tristeza voltou, como se o massacre tivesse acontecido hoje”, relatou.

Corpos de 112 palestinos mortos em um ataque aéreo israelense em novembro de 2023 foram sepultados na cidade de Gaza
Reprodução/Mohammed al-Hajjar/Middle East Eye
Mahmoud al-Hasayneh, que sobreviveu ao ataque, afirmou que os cerca de 200 membros da família Hasayneh haviam se refugiado em al-Sabra acreditavam que estariam protegidos dos bombardeios israelenses. “Infelizmente, os israelenses não respeitaram nem crianças nem mulheres, nem imunidade, nem nenhuma casa, nem qualquer santidade”, disse, observando que muitos dos mortos tinham cidadania romena, britânica e americana.
Por sua vez, o representante da família, Jadou Abu Sharia, classificou a procissão como o maior funeral da história palestina contemporânea, de acordo com a agência Wafa.
Os esforços para recuperar corpos dos escombros foram interrompidos nos primeiros meses do genocídio porque as equipes de busca não tinham o equipamento necessário para realizar a operação, já que havia sido destruído pelo regime sionista ou bloqueado para entrar em Gaza. Segundo o Ministério da Saúde de Gaza, acredita-se que cerca de oito mil corpos permaneçam sob escombros em todo o enclave.























