Prefeito de Nova Iorque boicota parada anual pró-Israel
Zohran Mamdani afirmou que deixou 'opiniões sobre o governo israelense bem claras' durante campanha; organizações judias antissionistas também não participaram
O prefeito nova-iorquino Zohran Mamdani não participou neste domingo (31/05) do desfile anual do Dia de Israel (um evento tradicional no calendário político da cidade), alegando sua longa oposição ao governo sionista israelense.
“Eu disse durante a campanha eleitoral que não participaria do desfile, e deixei minhas opiniões sobre o governo israelense bem claras“, disse Mamdani em uma coletiva de imprensa na semana passada, focada nos preparativos de segurança para o desfile.
Como o primeiro prefeito muçulmano da cidade, ele é um crítico do regime sionista, a quem já acusou de cometer genocídio em Gaza e ameaçou prender o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu caso este visitasse Nova York.
Os organizadores do desfile disseram que Mamdani foi a primeira liderança a faltar à parada, mas afirmaram não possuir registros completos de presença desde sua criação, em 1964. Outros políticos de esquerda também não compareceram ao evento.
Entre os que não foram está Brad Lander, judeu antisionista e um dos principais aliados de Mamdani, que está concorrendo nas primárias democratas para o Congresso. Ele não compareceu ao desfile e planejava, em vez disso, fazer campanha com um grupo judaico progressista em Manhattan, disse sua porta-voz.

Prefeito de Nova Iorque, Zohran Kwame Mamdani
@NYCMayor / X
Diversos grupos progressistas aliados ao prefeito, incluindo Judeus pela Justiça Racial e Econômica, Israelenses pela Paz e a filial de Nova York do grupo multiétnico israelense Standing Together, também não participaram.
No entanto, outros representantes eleitos marcharam em Manhattan, incluindo a governadora Kathy Hochul e Jessica Tisch, comissária de polícia da cidade de Nova York. Dessa forma, Tisch representa a administração de Mamdani no evento. Autoridades eleitas israelenses também participaram, incluindo Amir Ohana, presidente do Knesset, o parlamento de Israel, e quase uma dúzia de outros parlamentares, de acordo com um porta-voz do consulado israelense em Nova York.
Por sua vez, o prefeito também disse que a segurança para o desfile anual seria mais rigorosa do que nunca. “Como prefeito da nossa cidade, levo a sério a minha responsabilidade de proteger a segurança e o bem-estar de todos os nova-iorquinos e de todos os eventos, independentemente da minha presença”, disse.
O clima em torno do desfile tornou-se mais complexo após o ataque de retaliação pelo Hamas contra Israel em 7 de outubro de 2023, que desencadeou o genocídio palestino com mais de 70 mil pessoas mortas pelo regime israelense. Israel também lançou ofensivas no Líbano, iniciando uma expansão ilegal no território, assim como ocorreu na Cisjordânia ocupada.
O número de vítimas civis desses conflitos fez com que a população estadunidense deixasse de apoiar Israel. De acordo com o Pew Research Center, 60% dos norte-americanos e 80% dos democratas e independentes com tendência democrata possuem uma visão negativa do país.
Essa crescente negatividade também foi impulsionada pelas conclusões de uma comissão das Nações Unidas e de grupos de direitos humanos israelenses e internacionais, que apontaram que Israel cometeu genocídio em Gaza. Israel rejeitou repetidamente essas alegações, assim como muitos de seus apoiadores nos Estados Unidos.
























