Terça-feira, 7 de julho de 2026
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As forças militares de Israel estão atirando contra crianças palestinas na Cisjordânia ocupada em uma taxa maior do que a registrada no território desde a ocupação do território, em 1967. É o que revela um relatório divulgado pela B’Tselem, nesta segunda-feira (30/06).

De acordo com a organização israelense de direitos humanos, em 2025, 54 crianças palestinas foram mortas a tiros pelos militares israelenses. Considerando desde o início da guerra, em outubro de 2023, quase um em cada quatro palestinos mortos pelas forças israelenses na Cisjordânia ocupada era menor de idade.

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Segundo dados do Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), neste período, 1.105 palestinos foram mortos na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental ocupada, incluindo pelo menos 242 crianças. É a maior proporção de ataques a menores já registrada desde o início da ocupação.

A B’Tselem frisa que, apesar do elevado número de mortes de crianças e adolescentes, até agora não houve nenhuma responsabilização pelos crimes, tampouco acusações formais relacionadas aos casos ocorridos desde outubro de 2023.

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‘Política israelense’

A organização destaca que as mortes não podem ser classificadas como “erros isolados” ou “violações de ordens militares”. Elas refletem uma política das autoridades israelenses no território.

“O assassinato generalizado e sem precedentes de crianças e adolescentes palestinos na Cisjordânia é resultado de uma política israelense mais ampla que permite o assassinato de palestinos praticamente sem responsabilização”, afirmou o diretor-executivo da B’Tselem, Yuli Novak.

“Quando o comandante militar da área se vangloria de que Israel está matando palestinos ‘como não se matava desde 1967’, ele está confirmando exatamente isso: o sistema não apenas apoia aqueles que apertam o gatilho, como também lhes concede, na prática, uma licença para matar”, acrescentou.

Forças israelenses matam crianças na Cisjordânia ocupada em maior proporção desde 1967
Agência WAFA

Corpos sob custódia

O relatório também informa que em um quarto dos casos relatados, os soldados israelenses atrasaram ou impediram o socorro médico às crianças feridas, contribuindo para a morte dos menores.

O documento também informa que os corpos de pelo menos 18 crianças, entre as 54 vítimas, ainda permanecem sob custódia das autoridades israelenses, impedindo mães e pais de enterrarem seus filhos.

O texto também frisa que “os assassinatos na Cisjordânia não podem ser dissociados do assassinato, por Israel, de mais de 21.000 crianças palestinas na Faixa de Gaza”, destacando que a ausência de responsabilização  pelo genocídio levou à expansão da violência.

“Ao permitir que Israel mate em tal escala em Gaza sem consequências, a comunidade internacional efetivamente deu sinal verde para que o país prossiga com a mesma política letal na Cisjordânia”, afirma o documento. Confira a íntegra do relatório.