Proporção de crianças mortas por Israel na Cisjordânia ocupada é maior desde 1967, diz estudo
Relatório da organização de direitos humanos B'Tselem afirma que 54 menores foram mortos por forças israelenses em 2025; considerando ataques, a partir de outubro de 2023, números chegam a 242
As forças militares de Israel estão atirando contra crianças palestinas na Cisjordânia ocupada em uma taxa maior do que a registrada no território desde a ocupação do território, em 1967. É o que revela um relatório divulgado pela B’Tselem, nesta segunda-feira (30/06).
De acordo com a organização israelense de direitos humanos, em 2025, 54 crianças palestinas foram mortas a tiros pelos militares israelenses. Considerando desde o início da guerra, em outubro de 2023, quase um em cada quatro palestinos mortos pelas forças israelenses na Cisjordânia ocupada era menor de idade.
Segundo dados do Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), neste período, 1.105 palestinos foram mortos na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental ocupada, incluindo pelo menos 242 crianças. É a maior proporção de ataques a menores já registrada desde o início da ocupação.
A B’Tselem frisa que, apesar do elevado número de mortes de crianças e adolescentes, até agora não houve nenhuma responsabilização pelos crimes, tampouco acusações formais relacionadas aos casos ocorridos desde outubro de 2023.
‘Política israelense’
A organização destaca que as mortes não podem ser classificadas como “erros isolados” ou “violações de ordens militares”. Elas refletem uma política das autoridades israelenses no território.
“O assassinato generalizado e sem precedentes de crianças e adolescentes palestinos na Cisjordânia é resultado de uma política israelense mais ampla que permite o assassinato de palestinos praticamente sem responsabilização”, afirmou o diretor-executivo da B’Tselem, Yuli Novak.
“Quando o comandante militar da área se vangloria de que Israel está matando palestinos ‘como não se matava desde 1967’, ele está confirmando exatamente isso: o sistema não apenas apoia aqueles que apertam o gatilho, como também lhes concede, na prática, uma licença para matar”, acrescentou.

Forças israelenses matam crianças na Cisjordânia ocupada em maior proporção desde 1967
Agência WAFA
Corpos sob custódia
O relatório também informa que em um quarto dos casos relatados, os soldados israelenses atrasaram ou impediram o socorro médico às crianças feridas, contribuindo para a morte dos menores.
O documento também informa que os corpos de pelo menos 18 crianças, entre as 54 vítimas, ainda permanecem sob custódia das autoridades israelenses, impedindo mães e pais de enterrarem seus filhos.
O texto também frisa que “os assassinatos na Cisjordânia não podem ser dissociados do assassinato, por Israel, de mais de 21.000 crianças palestinas na Faixa de Gaza”, destacando que a ausência de responsabilização pelo genocídio levou à expansão da violência.
“Ao permitir que Israel mate em tal escala em Gaza sem consequências, a comunidade internacional efetivamente deu sinal verde para que o país prossiga com a mesma política letal na Cisjordânia”, afirma o documento. Confira a íntegra do relatório.
























