Terça-feira, 6 de outubro de 2026
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Doze países incluindo Reino Unido, França e Canadá, anunciaram nesta terça-feira (08/09) sanções ao comércio com os assentamentos israelenses ilegais na Cisjordânia ocupada. A nota em conjunto com as chancelarias, instaram o governo de Israel a “interromper imediatamente a expansão dos assentamentos e dos poderes administrativos civis”, como também garantir a “responsabilização pela violência dos colonos e investigar as denúncias contra as forças israelenses”.

“Hoje, o Canadá, a Dinamarca, a Finlândia, a França, a Islândia, a Irlanda, a Noruega, a Polônia, Portugal, a Espanha, a Suécia e o Reino Unido confirmam sua intenção de introduzir restrições nacionais e/ou apoiar restrições europeias ao comércio de mercadorias provenientes de assentamentos que são ilegais à luz do direito internacional, ou de que estão considerando ativamente essas e outras medidas, em conformidade com seus procedimentos nacionais”, diz o comunicado.

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Além disso, a nota também defende a ideia de dois Estados, afirmando que essa solução deve ser “protegida”: “Juntos, estamos determinados: a solução de dois Estados deve ser protegida, e agiremos em busca de uma paz justa e duradoura (…). Opomo-nos firmemente a ações que equivalem à anexação de terras palestinas e ao deslocamento forçado da população palestina”.

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Em paralelo a declaração conjunta, o ministro das Relações Exteriores do Reino Unido, Ed Miliband, também anunciou sanções contra empresas que apoiam esses assentamentos, assim como a proibição da exportação de armas para Israel e classificou o que está acontecendo na Cisjordânia como “limpeza étnica”.

Durante seu discurso nesta terça-feira (08/09) na Câmara dos Comuns, Miliband explicou que introduzirá um novo regime de sanções contra empresas e indivíduos que prestem serviços como construção, financiamento de infraestrutura ou imobiliário para a expansão de assentamentos, e afirmou que a legislação levará de seis a nove meses para entrar em vigor. Portanto, para aqueles que financiam ou facilitam assentamentos ilegais, ele afirmou que “enfrentarão toda a força das sanções do Reino Unido. Os assentamentos são ilegais e não devem ser promovidos em nosso país”.

O ministro, contudo, disse que se opõe “veementemente” ao boicote de produtos israelenses devido ao apoio à solução de dois Estados, e que as medidas terão como alvo “os assentamentos ilegais e a expansão dos assentamentos, não Israel”.

O chanceler também declarou em seu discurso que as exportações de armas do Reino Unido para Israel que contribuam para a ocupação serão proibidas e que algumas medidas já estão sendo implementadas. “Gostaria também de abordar a questão da venda de armas. Já suspendemos mais de 30 licenças de armas utilizadas pelas Forças de Defesa de Israel em Gaza. Essa suspensão permanece totalmente em vigor”, apontou. Agora, Miliband anunciou que recusará todos os pedidos de licença para exportação de armas e outros produtos que “contribuam materialmente para a ocupação”.

‘Limpeza étnica na Cisjordânia’

Durante seu discurso, Miliband também classificou o que está ocorrendo na Cisjordânia como limpeza étnica. Explicando que a designação é definida pela ONU como uma política intencional, concebida por um grupo étnico ou religioso, “para remover, por meios violentos e aterrorizantes, a população civil de outro grupo étnico ou religioso de determinadas áreas geográficas”.

Dessa forma, o governo britânico concorda que está ocorrendo uma limpeza étnica de palestinos em áreas da Cisjordânia, perpetrada por terroristas colonos. “E, com muita frequência, o governo israelense tem ignorado isso e, pior, membros do governo têm feito declarações e tomado medidas para apoiar o deslocamento forçado de palestinos”, disse.

Nesse sentido, Miliband afirma que o governo do Reino Unido agora reconhece a ocupação da Cisjordânia como ilegal. “Hoje anunciei que a posição oficial do governo britânico é que a ocupação é ilegal devido ao fortalecimento do controle de Israel, à sua intenção de estender a soberania permanente e à sua agenda expansionista por meio de assentamentos ilegais”, disse.

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