Sem dar explicações, Israel fecha portões do complexo da Mesquita Al-Aqsa em Jerusalém
Administração local alertou contra 'política sistemática' do regime sionista para controlar terras palestinas; em junho, Tel Aviv conduziu 26 incursões na área sagrada
As forças israelenses fecharam nesta terça-feira (14/07) os portões do complexo da Mesquita Al-Aqsa, em Jerusalém Oriental ocupada, sob o pretexto de realizar exercícios militares no local, de acordo com a agência de notícias palestina Wafa. No entanto, não houve comentários oficiais e imediatos por parte do governo de Israel sobre esta medida, que ocorre em meio à escalada de violência e restrições impostas pelo regime sionista no local sagrado.
Em comunicado nesta terça-feira, a administração de Jerusalém ocupada alertou que as autoridades israelenses pretendem expandir o assentamento de Givat Ze’ev, construído em terras palestinas a noroeste da cidade. Destacou que a medida do regime sionista deve ser interpretada como parte de uma política sistemática voltada para expandir o projeto de assentamentos e consolidar o controle sobre as terras palestinas, especialmente ao redor de Jerusalém.
A nota também destacou que conceder ao assentamento o status de cidade expandiria os seus poderes administrativos, aumentaria o financiamento governamental, aceleraria os procedimentos de construção e abriria caminho para novos bairros de assentamento, atraindo ainda mais colonos”.
“Tudo isso faz parte de uma política voltada para impor novas realidades no terreno e minar as chances de alcançar uma solução política baseada no direito internacional”, alertou, enfatizando que todos os assentamentos estabelecidos no território palestino ocupado são ilegais segundo o direito internacional e resoluções das Nações Unidas (ONU).
De acordo com um relatório divulgado no último fim de semana pelo Ministério Palestino de Awqaf e Assuntos Religiosos, as forças israelenses realizaram um total de 26 incursões no complexo da Mesquita de Al-Aqsa somente no mês de junho.

As forças israelenses fecharam nesta terça-feira (14/07) os portões do complexo da Mesquita Al-Aqsa, em Jerusalém Oriental ocupada
Wikimedia Commons/Godot13
Em 14 de maio, as autoridades governamentais e parlamentares de Israel lideraram incursões em massa pelas áreas palestinas da Cidade Velha em Jerusalém Oriental e invadiram a mesquita no âmbito da chamada “Marcha das Bandeiras”, uma tradicional manifestação nacionalista ligada de extrema direita que celebra a ocupação israelense da cidade em 1967.
Na ocasião, vídeos em redes sociais mostravam o ministro da Segurança Interna, Itamar Ben-Gvir, hasteando a bandeira israelense e dançando com um grupo de ocupantes. Também registravam a presença do membro do Parlamento do Knesset, Yitzhak Kroizer, da sigla de extrema direita Otzma Yehudit, como Ariel Kallner, deputado do partido Likud do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.
“Restauramos a governança no Monte do Templo graças à determinação e à dissuasão”, dizia Ben-Gvir, acrescentando que “o Monte do Templo está em nossas mãos”. Em rede social, Kroizer escreveu que “chegou a hora de nos livrarmos de todas as mesquitas e construir o Templo!”
De acordo com a agência Anadolu, o regime sionista tem intensificado os esforços para “judaizar” Jerusalém Oriental ocupada, incluindo o complexo da Mesquita de Al-Aqsa, para “apagar sua identidade árabe e islâmica”.
Os palestinos consideram Jerusalém Oriental ocupada como a capital de seu futuro Estado, enquanto resoluções internacionais não reconhecem a ocupação israelense da cidade em 1967 nem sua anexação em 1980.























