The Strokes protesta contra genocídio em Gaza e guerra no Irã durante Coachella
Banda norte-americana denunciou bombardeios israelenses e recordou líderes que sofreram golpes em operações da CIA
A banda de rock nova-iorquina The Strokes transformou seu show no segundo fim de semana do Coachella, neste sábado (19/04), em protesto político, exibindo o genocídio em Gaza, a guerra no Irã e relembrando a Operação Condor, que acarretou no intervencionismo dos Estados Unidos através da CIA para derrubar lideranças na América Latina.
Os dizeres foram exibidos no telão: “mais de 30 universidades destruídas no Irã” e “a última universidade em Gaza”. Durante a apresentação da última música no palco principal, o grupo tocou Oblivius — que não é tocada desde 2016 — cujo refrão traz a emblemática frase “What side are you standing on?” (“De que lado você está?”).
Em outro momento, o vocalista Julian Casablancas rechaçou a guerra do governo Donald Trump contra o Irã, que teve início em 28 de fevereiro com ataques conjuntos de Israel.
“Eu estava tentado a aparecer aqui com um laptop hoje à noite e mostrar para vocês alguns daqueles vídeos de lego iranianos. Vocês já viram? Muito bons. Têm mais verdades do que os seus jornais locais. Mas eles foram apagados. Pelo YouTube, ou pelo governo, tanto faz. Eles apagaram essa p****. Mas é a terra da liberdade, não é?”
“Eu fiquei com vontade de subir aqui hoje com um laptop e mostrar pra vocês uns vídeos de LEGO sobre o Irã. Já viram? Tem mais informação do que o jornal de vocês, mas tiraram do ar. YouTube, governo… não sei. Terra da liberdade, né?”
Julian Casablancas. pic.twitter.com/8pObZQ6crb
— We In The Crowd (@weinthecrowd) April 19, 2026
Na mesma apresentação, o grupo também exibiu imagens de líderes latino-americanos que foram derrubados pela CIA resultando em ditaduras militares no cone-sul, como Salvador Allende (presidente do Chile de 1970 a 1973), Omar Torrijos (líder máximo da Revolução Panamenha e comandante-chefe da Guarda Nacional entre 1968 e 1981), Jacobo Árbenz (presidente da Guatemala de 1951 a 1954) e Jaime Roldós Aguilera (presidente do Equador de 1979 a 1981).
The Strokes ainda prestou homenagem ao revolucionário Martin Luther King Jr.: “governo dos EUA considerado culpado por sua morte em julgamento civil”. Eleito como um dos principais defensores da não violência nos Estados Unidos, o ativista político lutou pelos direitos de igualdade perante a lei para os afro-americanos no país.
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No primeiro fim de semana do festival, em 11 de abril, Casablancas já havia adotado um tom político, criticando a possibilidade de retorno do alistamento militar obrigatório nos EUA: “Vocês estão animados com o draft? Ah, espera, não o draft da NFL… Em seis meses, acho que todo mundo elegível vai ter que se registrar. Estão animados?”
O ativismo político do The Strokes e do vocalista não é novidade entre os fãs. Dentre os mais de 600 músicos, o cantor assinou a carta aberta do coletivo “Musicians for Palestine”, pedindo boicote cultural a shows em Israel.
Julian Casablancas também utiliza seu projeto pessoal The Voidz e suas redes sociais para disseminar visões progressistas, análises críticas da sociedade, críticas ao sistema bipartidário dos EUA e ao capitalismo.























