Sexta-feira, 10 de julho de 2026
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Atendendo ao pedido de sua defesa, a deputada franco-palestina do Parlamento Europeu, Rima Hassan, membro do partido de esquerda Le France Insoumise (LFI), que há meses publicou em suas redes sociais uma citação que reitera apoio à resistência palestina, teve seu julgamento adiado para 19 e 20 de outubro. A decisão foi tomada após a parlamentar comparecer ao tribunal de Paris na terça-feira (07/07), julgada por uma infração definida como “perdão pelo terrorismo”, crime previsto pela lei francesa que inclui expressar apoio ou justificar ataques terroristas.

De acordo com o jornal francês Le Figaro, Hassan apareceu com uma kufiya na cabeça, enquanto centenas de apoiadores manifestavam solidariedade a ela do lado exterior do tribunal, com bandeiras e faixas palestinas. Entre os presentes estavam figuras proeminentes como o líder da LFI, Jean-Luc Mélenchon, e o prefeito de Saint-Denis, Bally Bagayoko.

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Ao portal Middle East Eye (MEE), a eurodeputada denunciou a situação como parte de uma campanha conjunta contra ela pelo fato de defender a Palestina. De acordo com ela, trata-se de um “assédio judicial” que escancara “até onde alguns estão dispostos a ir para silenciar vozes que denunciam o sofrimento do povo palestino”.

Em caso de condenação, Hassan pode chegar a enfrentar uma pena de até sete anos de prisão, com uma multa de 100 mil euros e perder seus poderes públicos por um período de dez anos. 

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Euroeputada franco-palestina Rima Hassan, acusada por ‘apologia ao terrorismo’ ao defender Palestina, teve seu julgamento na França adiado para 19 e 20 de outubro
X/@IreneMontero

Entenda o caso

Em 2 de abril, Hassan foi levada sob custódia policial após publicar na rede social X uma citação do militante japonês Kozo Okamoto, condenado por seu envolvimento no ataque ao aeroporto de Lod que matou 26 pessoas em Israel em 1972. 

“Kozo Okamoto: Dei minha juventude à causa palestina. Enquanto houver opressão, a resistência não será apenas um direito, mas um dever”, dizia a publicação da parlamentar. Em comunicado de imprensa, a assessoria de Hassan esclareceu, antes do julgamento, que a citação reproduzida fazia referência ao princípio do direito internacional, que prevê a garantia do direito dos povos de resistir à colonização e à ocupação de seu território.

No entanto, a publicação foi encaminhada ao gabinete da promotoria pelo deputado francês da sigla de extrema direita Reunião Nacional, Matthias Renault, pelo ministro do Interior francês, pela Organização Judaica Europeia (OJE) e pela Liga Contra o Racismo e o Antissemitismo (Licra).

Para a acusação, a publicação de Hassan equivaleria a um “pedido de desculpas pelo terrorismo”. No entanto, a defesa da eurodeputada insistiu na “ausência de qualquer caracterização dos elementos que constituem o crime de glorificação do terrorismo”.

O partido La France Insoumise, de Hassan, incluindo seu presidente e candidato presidencial Jean-Luc Mélenchon, defendeu a parlamentar, denunciando que a sua detenção fazia parte de mais uma tentativa de silenciar vozes que se solidarizam com a causa palestina. Por sua vez, o coordenador nacional da LFI, Manuel Bompard, enquadrou esse procedimento a uma campanha de “assédio político, midiático, judicial e policial”,

Apesar de sua imunidade parlamentar, naquele 2 de abril, Hassan ficou sob custódia policial por mais de 13 horas. De acordo com o jornal espanhol Demócrata, a eurodeputada foi alvo de um total de 22 denúncias dessa natureza, das quais 13 já foram arquivadas.