Em decisão histórica, tribunal do Reino Unido determina demissão de professor por crença antissionista é ‘ilegal’
David Miller foi expulso da Universidade de Bristol em outubro de 2021 por declarações pró-Palestina; corte de apelação trabalhista concluiu ser 'coerente' considerar sionismo ideologia 'racista'
A Universidade de Bristol perdeu seu recurso contra uma decisão inédita da corte de apelação trabalhista britânica, o Employment Appeal Tribunal (EAT), nesta quarta-feira (05/08), que determinou que um professor do instituto foi discriminado ao ser demitido injustamente devido às suas crenças antissionistas, uma vez que estas são protegidas pela Lei da Igualdade de 2010.
David Miller trabalhou como professor de sociologia política na Universidade de Bristol de setembro de 2018 a outubro de 2021, mas foi demitido por má conduta após emitir comentários públicos sobre sionismo, Israel e organizações estudantis judaicas no início daquele ano.
Em fevereiro de 2021, afirmou publicamente que “o movimento sionista e o governo de Israel são inimigos da esquerda”, além de descrever os grupos estudantis Jewish Society e a Union of Jewish Students como parte de um mecanismo para blindar o regime de Israel de críticas, criticando uma “farsa de falsas acusações de antissemitismo”.
Outras declarações criticavam “o sionismo e as políticas imperiais do Estado israelense”, afirmaram que “sionismo é racismo” e diziam que o Estado israelense é a causa do antissemitismo, argumentando que a idelogia deliberadamente fomenta a islamofobia.

Tribunal trabalhista do Reino Unido determinou que professor da Universidade de Bristol foi discriminado ao ser demitido injustamente devido às suas crenças antissionistas
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De acordo com o tribunal do Reino Unido, “é coerente descrever como ‘racista’ uma ideologia [sionismo] que promove o estabelecimento de um Estado [neste caso, Israel] para apenas uma raça de pessoas [judeus] em um território que antes continha um grande número de pessoas de outra raça [palestinos]”.
“Tal ideologia, que apoia a migração de membros do primeiro grupo para o território com o apoio de uma potência imperial para desalojar uma população indígena, também poderia ser coerentemente descrita como colonial e imperialista”, acrescentou o julgamento.
Nesse sentido, o tribunal britânico observou que os comentários de Miller eram legais, não foram antissemitas, não incitavam violência e não representavam ameaça à segurança alheia.
Em rede social, Miller saudou a decisão do tribunal trabalhista, descrevendo-a como uma vitória “decisiva” para o movimento antissionista.
“A tentativa da Universidade de Bristol de reverter minha vitória no Tribunal do Trabalho de 2024 foi amplamente rejeitada. Vencemos em todos os aspectos”, escreveu, enfatizando que “o antissionismo agora é uma crença filosófica protegida sob a Lei de Igualdade de 2010”.
“Isso é uma humilhação pública para o regime sionista genocida, cujos ativos no Reino Undio intimidaram a Universidade a me demitir e depois os arrastaram para esta apelação fútil. Sua estratégia legal desmoronou. Sua campanha de pressão saiu de forma espetacularmente contraproducente”, acrescentou.
ANTI-ZIONISM PROTECTED BY UK LAW
We have set a binding legal precedent!
Anti-Zionism is now a protected philosophical belief under the Equality Act 2010. Full stop.
The Employment Appeal Tribunal finally handed down its judgment this morning. The University of Bristol’s… pic.twitter.com/mRvXCfBhVW
— David Miller (@Tracking_Power) August 4, 2026























